quinta-feira, julho 30

Trump reinicia ataques ao Irã em meio a esforços do Paquistão para evitar conflito armado

Nesta quinta-feira (30), o Paquistão, atuando como intermediário entre os Estados Unidos e o Irã, revelou que as partes estão em conversações para reduzir as tensões após uma nova onda de bombardeios americanos contra o Irã.

Os ataques, que ocorreram após quase sete dias sem confrontos, reativaram um conflito que ameaça se espalhar para outras nações que até então ficavam à margem, como o Egito e o Iraque.

Na quarta-feira, forças dos EUA e da Arábia Saudita realizaram bombardeios direcionados a grupos aliados ao Irã no Iraque. Já nesta quinta-feira, um ataque com drones de origem indeterminada foi responsabilizado pelo incêndio de dois navios, incluindo um americano, no porto de Damieta, localizado no norte do Egito.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, declarou à mídia que “as negociações ainda estão em andamento, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz e à busca por uma desescalada”.

Ele acrescentou que seu país está empenhado em reiniciar o protocolo de acordo assinado em junho, que estabelecia o início de um ciclo de negociações de paz entre as nações envolvidas.

No entanto, esse esforço foi comprometido no início de julho devido aos ataques americanos contra o Irã e às represálias subsequentes por parte de Teerã contra aliados dos EUA, como as monarquias do Golfo e a Jordânia.

A principal questão em disputa é o Estreito de Ormuz, uma passagem vital para o comércio global de petróleo e gás que o Irã tem bloqueado desde o início das hostilidades.

– Ameaças de Trump –

<spanDepois de um período de calma durante quase duas semanas, o Exército americano executou nesta quinta-feira uma “intensa série” de bombardeios sobre alvos da Guarda Revolucionária do Irã. Esses ataques visaram diversas instalações desse exército ideológico da República Islâmica.

“Iremos atacá-los com grande força”, declarou Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na manhã da quarta-feira.

A Guarda Revolucionária informou nesta quinta-feira que três soldados iranianos perderam a vida em um ataque aéreo americano na província de Zanjan, situada no noroeste do país.

A imprensa estatal do Irã reportou bombardeios em várias cidades da província sulista de Khuzestan e na ilha Qeshm, no Golfo Pérsico, resultando na morte de três pessoas.

O Kuwait também confirmou a morte de um indivíduo devido a um ataque iraniano. Além disso, as forças armadas jordanianas relataram ter interceptado cinco mísseis lançados do território iraniano.

A Guarda Revolucionária reivindicou um ataque contra a base aérea jordaniana Al Azraq, alegando que os alvos eram aeronaves americanas ali estacionadas como represália ao ataque registrado em Qeshm.

A escalada recente teve início com os bombardeios saudos-americanos direcionados a grupos pro-Irã no Iraque. A Arábia Saudita os acusou de realizarem ataques com drones em suas instalações petrolíferas.

Esses bombardeios resultaram na morte de 20 membros da Frente de Mobilização Popular (FMP), conforme anunciado pelo ex-grupo paramilitar agora integrado ao Exército iraquiano. Comandantes do grupo também relataram a morte de cinco conselheiros iranianos nos ataques.

– Novas Frentes –

Antes do novo ciclo de hostilidades, o governo dos EUA havia informado que a temporária suspensão dos combates com o Irã visava facilitar novas rodadas de negociações sobre questões como o Estreito de Ormuz.

Nesta quinta-feira, a Guarda Revolucionária anunciou que dois petroleiros se retiraram após tentativas frustradas de atravessar a passagem com apoio americano; um deles estava pegando fogo.

As tensões no estreito aumentaram sua relevância para rotas comerciais alternativas para a Arábia Saudita através do Mar Vermelho. Contudo, na semana passada os rebeldes houthis — apoiados pelo Irã e que controlam vastas áreas do Iémen — impuseram um bloqueio naval aos portos sauditas como parte deste conflito indireto renovado.

O governo iemenita legítimo acusou os houthis de tentarem estabelecer um pedágio no Estreito de Bab el Mandeb, conexão entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.

Hesham Alghannam, especialista saudita em segurança, afirmou que as novas frentes criadas por grupos aliados representam “a continuidade da guerra direta através de outros meios”, sendo conduzidas com considerável coerência estratégica.

A intensificação das hostilidades e a possibilidade de bloqueios simultâneos nos estreitos de Ormuz e Bab el Mandeb levaram a uma nova elevação nos preços do petróleo, com o barril Brent sendo negociado acima dos 90 dólares.