quinta-feira, agosto 6

Obsesão em Tela: ‘Insaciável’ Une Body Horror e Fantasmas na Crítica ao Emagrecimento

Em um cenário onde canetas emagrecedoras prometem efeitos rápidos e sem esforço, a busca pelo corpo ideal se torna uma moeda de troca nas redes sociais. Nesse contexto, o body horror surge como uma ferramenta interessante para abordar as pressões estéticas contemporâneas. A produção australiana Insaciável, assim como outras obras recentes como A Substância, de Coralie Fargeat, e A Meia-Irmã Feia, de Emilie Blichfeldt, entra em cena para mostrar que o verdadeiro terror pode residir na dificuldade de aceitar o próprio corpo.

Natalie Erika James, que já havia dirigido Apartamento 7A, uma nova versão do clássico O Bebê de Rosemary de Roman Polanski, é a responsável pelo roteiro e direção deste longa-metragem. A trama gira em torno de Hana, uma estudante de medicina insatisfeita com sua aparência, interpretada por Midori Francis (Grey’s Anatomy). Sua vida centrada nos estudos muda quando reencontra uma antiga amiga e fica surpresa com a transformação dela após emagrecer drasticamente. A ex-colega então revela que seu novo corpo é resultado do uso de uma pílula não aprovada.

Desconfiada quanto à segurança do produto, Hana decide testá-lo e descobre que sua composição é feita de cinzas humanas. A partir daí, ela toma uma decisão arriscada: produzir sua própria versão da pílula utilizando restos mortais de uma mulher gorda das aulas de medicina. Embora os resultados na balança sejam impressionantes, ela começa a ser assombrada pelo espírito do cadáver chamado “Bertha”, que simboliza seus medos internos, as pressões da família e suas inseguranças estéticas.

Insaciável estabelece conexões com outros filmes do gênero, como Raw, de Júlia Ducournau, e Swallow, de Carlo Mirabella-Davis. Cada um deles explora um tipo de horror autoinfligido; seja pelo canibalismo em um caso ou pelo consumo de objetos estranhos em outro. A pílula feita com cinzas acaba fazendo Hana sentir uma fome insaciável. Os três longas discutem a relação entre a pressão corporal e as exigências sociais atuais – em Insaciável, por exemplo, atingir o corpo ideal é visto por Hana como sua única oportunidade para atrair a atenção da mulher que ama, uma professora focada no emagrecimento.

Com um tom grotesco e visceral, Insaciável apresenta um roteiro coeso – o desfecho surpreendente já estava indicado ao longo da narrativa, e o filme não hesita em se aventurar em elementos inverossímeis. Em vez disso, abraça a loucura necessária para criar um impacto significativo ao misturar temas como espíritos, juventude e horror corporal.