sexta-feira, agosto 14

Coletivo Noroest recria a Greve dos Queixadas em uma fusão de dança, teatro e circo

O Coletivo Noroest apresenta, nesta sexta-feira (14), o seu novo espetáculo intitulado “Manifesto de Concreto”, no Teatro Paulo Eiró, localizado em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. A performance está programada para começar às 20h e a entrada é gratuita.

Este trabalho artístico une dança, teatro e circo com o objetivo de recontar a história da Greve dos Queixadas, um marco importante na luta dos trabalhadores no Brasil e um evento significativo na trajetória do bairro de Perus, situado na Zona Noroeste da capital paulista.

Por meio das memórias do espaço, a obra estabelece um diálogo entre as batalhas trabalhistas do passado e as dificuldades atuais enfrentadas pelos residentes das periferias. O espetáculo investiga a interligação entre corpo, memória e território, além de como vivências coletivas podem ser transmitidas entre gerações.

Concreto como símbolo

No contexto de “Manifesto de Concreto”, o material que domina a paisagem de Perus adquire diversos significados. O concreto é associado tanto às fábricas que moldaram o bairro quanto às vias que conectam os moradores, além dos muros que representam desigualdades e restrições no acesso a oportunidades.

No palco, os performers utilizam seus corpos para comunicar marcas, cicatrizes e as estratégias desenvolvidas para enfrentar os desafios diários. A obra também aborda o conceito de “sevirologia”, que se refere à habilidade de avançar, reinventar caminhos e descobrir alternativas diante das desigualdades sociais.

A intenção da montagem é resgatar episódios históricos do território não apenas como uma lembrança do passado, mas como uma ferramenta para refletir sobre o presente e vislumbrar o futuro. O espetáculo ressalta a relevância dos conhecimentos populares, da cultura periférica e da organização comunitária na formação da identidade coletiva.

Greve dos Queixadas

A Greve dos Queixadas serve como pano de fundo histórico para a apresentação. A mobilização dos trabalhadores das indústrias de cimento em Perus tornou-se um ícone da luta sindical e da resistência operária.

Ao revisitar esse episódio, o Coletivo Noroest busca conectar a memória da greve às lutas contemporâneas nas periferias brasileiras. A proposta visa demonstrar como experiências de resistência permanecem vivas na identidade de um território e influenciam novas gerações.

Com uma duração total de 50 minutos e classificação livre, “Manifesto de Concreto” oferece uma perspectiva poética e política sobre memória e resistência. A montagem defende que manter vivas histórias coletivas é uma forma eficaz de fortalecer comunidades.

O projeto “Manifesto de Concreto – Território de Saberes” foi selecionado pela 9ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa da cidade.

Temporada gratuita

A partir da estreia no Teatro Paulo Eiró, o espetáculo será exibido no CEU Perus, nos dias 25 e 28 de agosto, sempre às 20h. Em setembro, haverá apresentações no Centro Cultural da Penha no dia 3 às 20h, além do retorno ao CEU Perus no dia 4 com sessões agendadas para às 10h e 14h.

A apresentação inaugural no Teatro Paulo Eiró comporta até 600 espectadores e possui acessibilidade parcial; entretanto, o local não conta com estacionamento. No CEU Perus, que tem capacidade para 350 pessoas, há acessibilidade disponível, mas também sem estacionamento. O Centro Cultural da Penha possui espaço para 100 pessoas, acessibilidade garantida e não oferece estacionamento.

Serviço

“Manifesto de Concreto” – Coletivo Noroest
Duração: 50 minutos
Classificação: Livre
Entrada: gratuita

14 de agosto, às 20h
Teatro Paulo Eiró — Av. Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, São Paulo

25 e 28 de agosto, às 20h
CEU Perus — Rua Bernardo José de Lorena, s/n, Vila Fanton, São Paulo

3 de setembro, às 20h
Centro Cultural da Penha — Largo do Rosário, 20, Penha, São Paulo

4 de setembro, às 10h e às 14h
CEU Perus — Rua Bernardo José de Lorena, s/n, Vila Fanton, São Paulo

A direção artística fica a cargo de Igor Souza, que também atua ao lado dos artistas Edvan Soares, Laura Berteli, Munique Tavares, Elias Soares e Bruce Cardoso.

A trilha sonora é criada por Nine Nine em parceria com Bruce Cardoso; a operação técnica do som é realizada por Nine Nine. Elves Ferreira é responsável pela concepção e execução das luzes. Os figurinos são elaborados pelo Coletivo Nada é Fácil junto com Julia Morinaga, Keila Moreira e Elba Lacerda.

A produção executiva está sob responsabilidade de Júnior Cecon da Plural Produtora. O projeto ainda conta com colaborações diversas provenientes de espaços culturais relacionados ao território de Perus como Ocupação Artística Canhoba, CMQUEIXADAS, CEU Perus , Comunidade Cultural Quilombaque e Casa do Hip-Hop Perus.