quinta-feira, outubro 8

Sobrevivente de execução enfrenta sequelas graves após queimaduras nos braços

Os defensores de Christa Pike, mulher que escapou da execução no Tennessee, revelaram uma situação aterradora: os braços da condenada apresentavam inchaço, queimaduras e bolhas após tentativas falhas de injeção de pentobarbital.

O veneno administrado possui efeitos semelhantes aos da soda cáustica. Foram realizadas duas tentativas de aplicação da dose letal, ambas sem êxito.

Conforme informações dos advogados, Christa sobreviveu contra todas as previsões médicas, está consciente e conseguiu retomar a fala na unidade de terapia intensiva para a qual foi transferida.

Ela cumpre pena no corredor da morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos, ocorrido em 1995.

Atualmente com 50 anos, Christa foi condenada por, junto com seu namorado e um cúmplice, atrair Colleen para uma área florestal onde foram torturá-la antes de matá-la.

O responsável pelas execuções no estado do Tennessee foi dispensado do cargo.

Diante do sofrimento infligido à prisioneira durante o procedimento, já que ela estava ciente de tudo que ocorria, um representante da Anistia Internacional fez um apelo ao governador do estado para que sua pena fosse convertida em prisão perpétua:

Esta é a segunda ocorrência em menos de cinco meses em que o Tennessee comete um erro grave durante uma execução. Em maio, Tony Carruthers passou por situação parecida. O estado não apenas possui um histórico extenso de execuções malsucedidas, como também realiza esses procedimentos mantendo em sigilo as informações sobre a injeção letal. Essa demonstração extrema de crueldade é um forte argumento para que a pena de morte seja abolida imediatamente.

Recuperação

Segundo a legislação vigente, Christa não poderá ser reintegrada ao corredor da morte até que recupere totalmente a consciência.

Em comunicado oficial, seus advogados afirmaram:

Surpreendentemente, Christa Pike está consciente e se comunicando enquanto recebe tratamento médico vital. Apesar das severas lesões nos braços, ela continua algemada e restrita à cama. Sua recuperação representa um feito médico extraordinário.

Os representantes legais dela conseguiram prorrogar o prazo para recorrer à justiça após o mandado de execução ter expirado poucas horas após a tentativa fracassada.

O estado do Tennessee será responsável por todos os custos relacionados à internação da prisioneira.

O governador Bill Lee decidiu suspender todas as execuções até o final deste ano.

Drama na câmara da morte

Sete jornalistas estavam presentes na penitenciária de Nashville para acompanhar a execução programada da mulher.

Catherine Sweeney, repórter de uma rádio pública local, relatou que as cortinas da câmara da morte permaneceram fechadas enquanto a equipe médica tentava estabelecer acesso venoso:

Não há indicadores claros sobre quando as drogas letais são administradas; presume-se que isso ocorra após as últimas palavras da prisioneira. Normalmente, o conselheiro espiritual oferece orações e apoio emocional nesse momento. Pike declarou: “Quero apenas dizer que deixarei este mundo como passei a maior parte da minha vida: com amor”.

Continuação do diálogo

Os jornalistas ficaram surpresos ao perceber que a prisioneira continuou conversando com seu conselheiro espiritual mesmo após receber a primeira dose do veneno, acionada remotamente.

O conselheiro espiritual era budista e foi a única pessoa presente ao lado dela na câmara enquanto familiares e autoridades assistiam à distância.

A repórter comentou que quando as cortinas foram fechadas pela segunda vez para uma nova tentativa, puderam ouvir o ronco de Christa Pike:

As cortinas se fecharam às 20h16 e ouvimos os roncos dela por quase 40 minutos seguidos.

Os advogados afirmaram que ela apresenta um problema vascular que pode ter sido desconsiderado pelas autoridades. O barbitúrico vazou para seu braço e causou gradualmente as queimaduras observadas.

Após cerca de uma hora, os repórteres foram retirados do local — e Christa Pike foi levada em coma para receber atendimento hospitalar.