Nos primeiros nove meses de 2026, o intercâmbio comercial entre Brasil e China atingiu um patamar recorde, evidenciando uma expansão tanto nas exportações brasileiras para a nação asiática quanto nas importações de produtos chineses.
As operações comerciais entre os dois países totalizaram US$ 143,3 bilhões entre janeiro e setembro, reafirmando a China como o principal parceiro comercial do Brasil.
Esses dados foram coletados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) com informações fornecidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No período analisado, as exportações brasileiras para a China alcançaram US$ 84,7 bilhões, representando um aumento de 12% em comparação aos primeiros nove meses de 2025. As importações de produtos provenientes da China somaram US$ 58,6 bilhões, com um crescimento de 9,9%.
Dessa forma, o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 26,1 bilhões nas transações com a China.
Crescimento acentuado das exportações de petróleo
Um dos principais responsáveis pelo desempenho das exportações brasileiras para a China foi o petróleo bruto. As vendas do produto totalizaram US$ 21,8 bilhões entre janeiro e setembro, refletindo um crescimento impressionante de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Com isso, o petróleo se posicionou como o segundo produto mais exportado pelo Brasil para a China, ficando atrás apenas da soja.
A oleaginosa gerou receitas de US$ 30 bilhões durante esse intervalo e a China absorveu cerca de 70% das exportações brasileiras desse grão. O minério de ferro ocupou a terceira posição na lista, evidenciando a relevância das commodities agrícolas e minerais na parceria comercial entre os dois países.
Os três produtos juntos — soja, petróleo bruto e minério de ferro — representaram mais de 77% das exportações brasileiras rumo à China, conforme indicado pelas análises do CEBC.
Aumentos nas vendas de petróleo ressaltam a importância do mercado chinês para o setor energético brasileiro. A demanda por matérias-primas na China é essencial para sustentar uma parte significativa do comércio bilateral.
Exportação de carne de frango cresce enquanto carne bovina enfrenta queda
No segmento agropecuário, as exportações brasileiras de carne de frango e seus subprodutos se destacaram com um crescimento expressivo. O valor das vendas aumentou em 113%, enquanto o volume enviado cresceu 86% em comparação anual.
A carne de frango posicionou-se como o sétimo produto mais vendido ao mercado chinês e obteve o maior avanço percentual entre os itens desse setor.
Por outro lado, as exportações de carne bovina caíram 8,5%. Essa diminuição está relacionada às novas restrições chinesas que agora impõem uma cota anual para as importações desse tipo de carne.
Além disso, o minério de cobre também teve um aumento significativo nas vendas, com crescimento registrado em 7,8%, tornando-se o oitavo item na lista dos principais produtos brasileiros destinados à China.
Novo horizonte com sorgo e subprodutos do etanol
Novos produtos estão emergindo no comércio entre Brasil e China além das commodities tradicionais. Segundo Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, tanto o sorgo quanto os grãos secos provenientes da destilaria (DDG) apresentam grande potencial para expansão.
O DDG é um subproduto da produção do etanol feito a partir do milho e é amplamente utilizado na alimentação animal. O Brasil registrou exportações desse produto no valor total de US$ 204 milhões globalmente, sendo que a China correspondeu a 53% deste montante.
A intensificação das vendas para o mercado chinês ocorreu após a formalização de um protocolo bilateral em maio de 2025; os embarques iniciaram-se efetivamente em fevereiro do ano seguinte.
No caso do sorgo, seu acesso ao mercado chinês foi facilitado por um acordo fitossanitário assinado no final de 2024. Entre janeiro e setembro deste ano, as exportações brasileiras desse grão para a China somaram US$ 170 milhões.
Cariello destaca que esse avanço está alinhado à estratégia da China em diversificar seus fornecedores para insumos alimentares enquanto busca aumentar sua produção interna.
Outro aspecto relevante foi o espodumênio — mineral utilizado na extração do lítio — com exportações brasileiras que chegaram a US$ 172,3 milhões nesse período, marcando uma alta impressionante de 339% comparado aos mesmos meses do ano passado. A China adquiriu cerca de 97% do espodumênio brasileiro exportado.
Importação brasileira de veículos eletrificados da China atinge US$ 5,9 bilhões
No que diz respeito às importações brasileiras, destaca-se também os veículos eletrificados fabricados na China. Entre janeiro e setembro deste ano, as compras desses automóveis – que incluem híbridos convencionais e plug-in assim como modelos totalmente elétricos – totalizaram US$ 5,9 bilhões. Esse valor representa aproximadamente 10% das importações totais originárias da China.
Esse desempenho ocorreu mesmo diante do aumento nas tarifas brasileiras sobre veículos eletrificados; em julho as alíquotas subiram para até 35%, acima das taxas anteriores que variavam entre 25% ou 30%, dependendo das características dos veículos.
Após uma queda nas importações durante julho e agosto, houve uma recuperação significativa em setembro.
Cariello observa que esses números sugerem que a expansão nas importações não pode ser atribuída unicamente às alterações tarifárias. Ele ressalta que as montadoras chinesas estão solidificando sua presença no mercado brasileiro — tendência que também é visível nos registros dos emplacamentos desses veículos eletrificados.
Os herbicidas figuraram entre as categorias mais relevantes dos produtos importados da China ocupando a terceira posição no ranking geral dessas categorias.
No setor tecnológico, os chips de memória apresentaram uma discrepância considerável entre volume e valor: embora as quantidades importadas tenham diminuído em 11%, os gastos aumentaram em impressionantes 237% durante o mesmo período analisado.
