quinta-feira, outubro 15

Aumento da gasolina na Argentina de Milei supera em três vezes o registrado no Brasil sob Lula, inspirado por Flávio Bolsonaro

Entre outubro de 2025 e outubro de 2026, a Argentina registrou um aumento no preço da gasolina significativamente maior do que o Brasil. A variação dos preços no Brasil, sob a administração de Lula, foi de 13% em dólares, enquanto na Argentina, governada por Milei, o aumento foi em torno de 40%, conforme dados sobre combustíveis ajustados aos padrões internacionais.

Vale destacar que o plano econômico implementado por Milei serve como modelo para Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, que busca inspiração na experiência argentina para suas propostas de reforma econômica.

Entenda: Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro já promete “tesouraço” nos moldes de Milei

O preço dos combustíveis é um indicador relevante do combate à inflação. A elevação nos preços da gasolina tende a se espalhar pela cadeia produtiva, afetando diretamente o custo dos alimentos nos supermercados e os gastos com frete de diversos produtos.

Gasolina brasileira teve aumento de aproximadamente 13% em dólares

Petrobras

<p Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina comum no Brasil era de R$ 6,22 por litro entre 12 e 18 de outubro de 2025. Já na semana de 4 a 10 de outubro de 2026, esse valor subiu para R$ 6,585 por litro.

Em termos reais, isso representa uma alta aproximada de 5,9%. Quando convertidos para dólares com base nas taxas cambiais da época, os preços passaram de cerca de US$ 1,15 para US$ 1,30 por litro, resultando em um aumento estimado em torno de 13%.

Os números referentes aos preços dos combustíveis podem ser consultados na série histórica oficial disponibilizada pela ANP.

Na Argentina, aumento em torno de 40% em dólares

No cenário argentino, o preço da gasolina superava os 1.481,36 pesos por litro em outubro de 2025. Em apenas um ano depois, em 12 de outubro de 2026, esse valor atingiu os 2.208,33 pesos por litro, representando uma elevação nominal de 49,1% na moeda local. Esses dados são fornecidos pela Secretaria de Energia da Argentina através da série GlobalPetrolPrices.

Ao converter o preço do litro registrado em outubro de 2025 utilizando uma cotação média daquele mês que era aproximadamente de 1.426 pesos por dólar, obtém-se um custo equivalente a cerca de US$ 1,04 por litro. No mês seguinte em questão (outubro de 2026), o valor médio era próximo a US$ 1,46.

É essencial comparar também as taxas gerais da inflação na economia hermana. Nos últimos doze meses sob o governo Milei, a inflação alcançou a marca significativa de 33,4%, enquanto no Brasil o IPCA acumulado para o mesmo intervalo foi muito mais modesto: apenas 4,58%.

Aumento do petróleo internacional também afeta os preços

A análise deve considerar a dinâmica do mercado petrolífero global. Fatores como os conflitos no Irã e na Ucrânia e as tensões no estreito Bab Al-Mandeb contribuíram para a elevação nos preços do petróleo.

No que diz respeito ao Brent — referência internacional — sua média mensal estava próxima a US$ 65 por barril em outubro de 2025. Em contrapartida, no dia 15 de outubro de 2026 essa cotação saltou para cerca de US$106,08 por barril.

Isso representa um aumento significativo da ordem de aproximadamente 63% se comparado à média do ano anterior.

Embora o encarecimento do petróleo influencie os custos das cadeias relacionadas aos combustíveis, este não é o único fator determinante para o preço final da gasolina nas bombas. Várias variáveis como câmbio monetário, processos de refino e distribuição, impostos aplicáveis e políticas internas dos países têm impacto direto nesse valor final.

Estratégias econômicas distintas

No Brasil, a Petrobras anunciou em maio de 2023 uma nova abordagem que abandonou a política anterior baseada na paridade com os preços internacionais como critério principal para definição dos valores dos combustíveis. A estatal agora leva em conta outros elementos como custos alternativos e condições mercadológicas específicas.

A mudança não isolou completamente o Brasil das flutuações globais; contudo modificou as diretrizes utilizadas pela empresa estatal para determinar os preços praticados às distribuidoras. O custo final nos postos continua sujeito à influência externa e tributária.

Por sua vez na Argentina, a administração Milei promoveu uma agenda focada na liberalização da economia e diminuição das intervenções estatais. Os aumentos nos preços dos combustíveis ocorreram dentro deste contexto caracterizado por mudanças cambiais e ajustes fiscais.

A discrepância entre as variações observadas nos dois países reflete abordagens divergentes sobre formação dos preços: uma priorizando a soberania nacional e outra se alinhando à liberalização econômica. As consequências dessas escolhas impactam diretamente o cotidiano das populações envolvidas.