quinta-feira, outubro 15

China registra recorde histórico de intercâmbio comercial com o Brasil sob a liderança de Lula, com ênfase no setor de petróleo.

Nos primeiros nove meses de 2026, o intercâmbio comercial entre Brasil e China alcançou um marco inédito, refletindo um aumento tanto nas exportações brasileiras para o país asiático quanto nas importações de produtos chineses.

De janeiro a setembro, as transações comerciais totalizaram US$ 143,3 bilhões, solidificando a China como o principal parceiro comercial do Brasil.

As informações foram reunidas pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), com base em dados fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

As exportações do Brasil para a China atingiram US$ 84,7 bilhões nesse período, representando um crescimento de 12% em comparação aos primeiros nove meses de 2025. Por outro lado, as importações de produtos chineses somaram US$ 58,6 bilhões, com um avanço de 9,9%.

Dessa forma, o Brasil obteve um superávit comercial de US$ 26,1 bilhões nas relações comerciais com o país asiático.

Exportação de petróleo tem aumento expressivo

O petróleo bruto destacou-se significativamente nas exportações brasileiras para a China. Entre janeiro e setembro, as vendas desse produto totalizaram US$ 21,8 bilhões, um crescimento impressionante de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse resultado colocou o petróleo na segunda posição entre os produtos brasileiros mais exportados para a China, ficando atrás apenas da soja.

A soja gerou vendas de US$ 30 bilhões no mesmo intervalo e absorveu 70% das exportações brasileiras do grão. O minério de ferro também se destacou na terceira posição, evidenciando a relevância das commodities minerais e agrícolas neste comércio bilateral.

Juntas, as exportações de soja, petróleo bruto e minério de ferro representaram mais de 77% das vendas brasileiras destinadas à China, conforme levantamento realizado pelo CEBC.

A evolução das vendas de petróleo ressalta a importância do mercado chinês para o setor energético brasileiro. A demanda por matérias-primas por parte da China é fundamental para sustentar uma parte significativa dessa relação comercial.

Crescimento nas exportações de carne de frango; queda na carne bovina

No setor agropecuário, as exportações brasileiras de carne de frango e seus subprodutos tiveram um dos maiores crescimentos no período analisado. O valor das vendas aumentou em 113%, enquanto o volume enviado cresceu em 86% quando comparado ao ano anterior.

A carne de frango ocupou a sétima posição entre os dez principais produtos brasileiros comercializados na China e registrou o maior crescimento percentual entre os itens deste segmento.

Por outro lado, as exportações de carne bovina caíram 8,5%. Essa redução ocorreu devido às novas restrições impostas pelas autoridades chinesas que estabeleceram uma cota anual para importação desse tipo de carne.

O minério de cobre também viu um aumento nas exportações, subindo 7,8%, sendo classificado na oitava posição entre os principais produtos brasileiros vendidos à China.

Novos produtos ampliam horizontes comerciais

Além das commodities tradicionais já estabelecidas no comércio entre Brasil e China, novos produtos estão começando a ganhar destaque. De acordo com Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, tanto o sorgo quanto os grãos secos provenientes da destilaria (DDG) possuem grande potencial para expansão futura.

O DDG é um subproduto da produção de etanol a partir do milho e é amplamente utilizado na alimentação animal. O Brasil exportou US$ 204 milhões deste produto globalmente, sendo que a China correspondeu a 53% desse total.

Aceleradas pela assinatura de um protocolo bilateral em maio de 2025 que permitiu embarques efetivos iniciados em fevereiro deste ano, as vendas para o mercado chinês mostraram crescimento significativo.

No que diz respeito ao sorgo, seu acesso ao mercado chinês foi facilitado por um acordo fitossanitário assinado no final de 2024. As exportações deste produto pelo Brasil para a China chegaram a US$ 170 milhões entre janeiro e setembro deste ano.

Cariello destaca que essa expansão está alinhada à estratégia da China em diversificar suas fontes para insumos destinados à alimentação animal ao mesmo tempo em que busca aumentar sua produção interna.

Outro produto notável foi o espodumênio — mineral utilizado na extração do lítio — que teve suas exportações brasileiras para a China totalizando US$ 172,3 milhões durante este período. Esse número representa uma impressionante alta de 339% em relação aos mesmos meses do ano passado. A China adquiriu cerca de 97% do espodumênio exportado pelo Brasil.

Importação chinesa: veículos eletrificados ganham espaço

No campo das importações feitas pelo Brasil, os veículos eletrificados fabricados na China se destacaram consideravelmente. De janeiro até setembro deste ano, as aquisições desses automóveis — incluindo híbridos convencionais e plug-in — totalizaram US$ 5,9 bilhões, correspondendo aproximadamente a 10% das importações brasileiras provenientes da China.

Esse desempenho ocorreu apesar do aumento recente nas tarifas brasileiras sobre veículos eletrificados. Em julho passado, as alíquotas passaram para até 35%, comparadas às taxas anteriores que variavam entre 25% e 30%, dependendo das características dos modelos.

A entrada desses veículos chineses apresentou crescimento novamente em setembro após uma leve queda nos meses anteriores.

Cariello observa que esses números indicam que o aumento nas importações não pode ser atribuído apenas às recentes modificações tarifárias. Ele afirma que as montadoras chinesas estão consolidando sua presença no mercado brasileiro — uma tendência também refletida nos registros recentes de emplacamentos desses veículos eletrificados.

Entre os produtos importados da China também se destacaram os herbicidas que ocuparam a terceira posição no ranking das categorias mais relevantes.

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