quinta-feira, julho 23

Dois anos após a tragédia da Voepass: uma retrospectiva do acidente que marcou a aviação brasileira

Na quinta-feira, 23, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentará o relatório final a respeito da queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), ocorrida em 2024, que resultou na morte de 62 pessoas.

A entrega do documento está agendada para as 17h e ocorrerá após a instituição compartilhar as descobertas feitas durante as investigações com os parentes das vítimas. O relatório final reunirá as conclusões obtidas ao longo de dois anos de apurações sobre os fatores que podem ter contribuído para o acidente.

Entre os dados analisados pelo Cenipa, estão a avaliação das duas caixas-pretas, a reconstrução detalhada do voo, a verificação das condições meteorológicas no dia do sinistro, um estudo abrangente envolvendo mais de 15 mil voos realizados por aviões da mesma frota da empresa, simulações em simuladores e um voo teste com outro modelo ATR 72-500. Também foram realizados exames nos motores, assim como avaliações dos sistemas de degelo e proteção contra estol, além da análise de registros de manutenção e dos certificados médicos dos pilotos.

A pesquisa conduzida pelo Cenipa passou por validação por parte de entidades internacionais, conforme previsto em protocolo. Assim, o documento foi revisado pelo Bureau d’Enquêtes et d’Analyses pour la Sécurité de l’Aviation Civile (BEA), da França, que é responsável pelo design e fabricação do ATR 72-500, e também pelo Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, encarregado do desenvolvimento dos motores da aeronave.

Contexto do acidente

No dia 9 de agosto de 2024, o voo 2283 da Voepass Linhas Aéreas partiu de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), mas caiu em Vinhedo, interior paulista.

A aeronave era um modelo ATR 72-500, turboélice fabricado na França e na Itália, que despenhou-se em uma área residencial. Após a colisão, houve incêndio. Todas as 62 pessoas a bordo – sendo 58 passageiros e 4 tripulantes – faleceram no local. Apesar da queda ter ocorrido em uma região habitada, não houve vítimas ou feridos no solo.

A queda ocorreu pouco antes da chegada ao destino e foi marcada por uma perda rápida de altitude. Imagens capturadas por moradores mostraram o avião descendo quase verticalmente enquanto girava em seu próprio eixo antes de atingir o chão.

A investigação foi feita pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira, com suporte da Polícia Federal, Polícia Civil e outras instituições. Nos primeiros dias após o acidente, especialistas levantaram a hipótese principal da formação intensa de gelo durante o voo; contudo, o Cenipa esclareceu que a presença de gelo não era suficiente para justificar o acidente.