sexta-feira, outubro 23

Economista laureado com o Nobel reprova proposta de Flávio Bolsonaro de reduzir gastos públicos

Nesta terça-feira (20), o economista americano Joseph Stiglitz, laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 2001, juntamente com a brasileira Laura Carvalho, docente da Universidade de São Paulo (USP), emitiram um aviso importante sobre as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro (PL). Eles alertaram que essas medidas podem empurrar o Brasil para uma recessão. Em um artigo divulgado no Project Syndicate, os especialistas criticam a ideia de cortar gastos públicos em até 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), ressaltando os riscos associados ao emprego, à atividade econômica e às finanças governamentais.

Intitulado Brazil Cannot Afford Bolsonaro’s Spending Cuts, o texto explora os potenciais impactos da política fiscal proposta pelo candidato à Presidência, que enfrentará Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição no próximo domingo (25).

Os economistas afirmam que uma redução dessa magnitude tem o potencial de fragilizar a economia nacional ao diminuir a circulação de recursos entre empresas, trabalhadores e consumidores.

Pequenos empreendimentos e famílias seriam particularmente afetados, devido à possibilidade de queda nas vendas, na renda e nas oportunidades de emprego.

A questão também se estende às finanças públicas: uma desaceleração econômica pode afetar negativamente a arrecadação tributária, já que tanto empresas quanto consumidores tendem a movimentar menos dinheiro.

Neste contexto, os autores sustentam que o ajuste fiscal pode não levar à redução esperada da dívida pública, mesmo com a diminuição das despesas governamentais.

A análise refuta a suposição de que cortes drásticos nos gastos sejam suficientes por si só para melhorar a saúde fiscal do país.

A publicação do artigo ocorre cinco dias antes da votação que decidirá quem assumirá a Presidência da República, em um momento em que as propostas econômicas dos candidatos estão no centro do debate eleitoral.

Stiglitz é professor na Universidade Columbia e já ocupou o cargo de economista-chefe do Banco Mundial. Laura Carvalho se especializa em economia na USP e investiga as relações entre crescimento econômico e desigualdade social.