quinta-feira, outubro 8

Flávio Bolsonaro representa risco para a indústria cinematográfica do Brasil, afirma principal site de entretenimento dos Estados Unidos.

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil provocou uma onda de atenção na mídia internacional, despertando preocupações sobre o futuro cultural do país. Em uma extensa reportagem publicada nesta quarta-feira (7), o renomado site norte-americano Variety, conhecido por sua cobertura da indústria do entretenimento, traçou um quadro alarmante para o cenário cultural brasileiro caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença no segundo turno.

A análise enfatiza a fase de efervescência e reconhecimento internacional que o cinema brasileiro está atravessando, impulsionado por filmes aclamados em festivais e circuitos internacionais, como os recentes sucessos “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. O portal aponta que essa fase frutífera da cinematografia nacional é resultado das novas políticas públicas implementadas e do significativo investimento de R$ 1,6 bilhão direcionado ao setor audiovisual pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A preocupação central expressa pela publicação está vinculada à possibilidade de que o candidato do PL, que obteve 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, siga os mesmos parâmetros e práticas adotados por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O artigo menciona o impacto negativo que a gestão anterior teve sobre a indústria, destacando uma drástica redução de 43% no orçamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine) em 2019, que resultou na paralisação de projetos e no estrangulamento da produção cinematográfica no Brasil.

Para ilustrar as inquietações enfrentadas pelos profissionais do setor cultural diante da possível vitória de Flávio Bolsonaro, a reportagem entrevistou figuras importantes da indústria local. Entre os relatos, destaca-se o de Paula Cosenza, cofundadora da produtora Trema junto ao cineasta Gabriel Mascaro, diretor do filme “O Último Azul”. A produtora fez um alerta contundente sobre como a vitória de Flávio Bolsonaro poderia levar ao desmantelamento dos avanços conquistados até então, colocando em risco o futuro da atividade cinematográfica brasileira.

Além disso, a publicação também registrou a atmosfera política nos bastidores do circuito cultural. Durante o Festival do Rio, uma considerável presença de cineastas, atores e produtores se manifestou abertamente em apoio à candidatura do presidente Lula como forma de barrar a ascensão do grupo de Flávio Bolsonaro. Para os artistas consultados pela mídia internacional, garantir os investimentos públicos e as proteções institucionais é fundamental para assegurar que a produção audiovisual brasileira continue a expandir suas fronteiras e conquistar público globalmente.