sexta-feira, outubro 23

Lula e o SUS: 13 compromissos essenciais para a saúde no Brasil

O Brasil vivenciou uma dura lição sobre as consequências do enfraquecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Anos marcados por um teto de gastos, aumento das filas e uma onda de negacionismo deixaram marcas profundas. Para aqueles que dependem do trabalho diário, isso se traduz em madrugadas passadas na porta de postos de saúde em busca de atendimentos, longas esperas por exames e famílias endividadas para custear serviços privados.

Com a chegada do governo Lula, essa realidade começou a mudar. Essa transformação foi impulsionada por um esforço conjunto de gestão, trabalho e investimentos.

Para abordar o principal desafio histórico do SUS — o acesso a especialistas — foi lançado o programa “Agora Tem Especialistas”. Este não é apenas mais um projeto com um nome atrativo; trata-se de uma mudança fundamental que atua em três áreas essenciais: tecnologia, recursos humanos e gestão. A integração da telessaúde, as carretas de exames que circulam pelas áreas rurais, o prontuário eletrônico e a reorganização da fila nacional com base em critérios de risco colocam o SUS em sintonia com as exigências do século 21.

A recomposição da força de trabalho também foi uma prioridade. O programa “Mais Médicos” foi relançado e ampliado, contando agora com mais de 28 mil profissionais. Os agentes comunitários de saúde passaram a receber maior valorização e a frota do SAMU foi modernizada. Esses esforços resultaram em melhorias significativas na vida das pessoas.

No ano de 2025, o SUS alcançou um marco histórico ao registrar 14,9 milhões de cirurgias e 43,7 milhões de exames especializados realizados. Esses números refletem histórias reais: mães que conseguiram realizar mamografias no momento adequado, trabalhadores que recuperaram a visão após cirurgias de catarata e crianças diagnosticadas precocemente.

O projeto de revitalização da saúde pública avança agora com os “13 Compromissos para a Saúde”, que delineiam diretrizes claras para os próximos quatro anos. Essas medidas visam tornar o SUS mais eficaz e presente nas comunidades.

Esses compromissos incluem ações desde os fundamentos que nunca foram implementados até inovações necessárias. Entre eles estão garantir fila zero para cirurgias e exames; assegurar diagnósticos de câncer em até 30 dias e início dos tratamentos dentro do prazo de 60 dias; fortalecer os cuidados voltados para a saúde da mulher, incluindo acesso a exames preventivos, mamografias e partos humanizados; além de assegurar atenção integral a crianças e idosos.

Adicionalmente, há compromissos estruturais como a ampliação permanente da Farmácia Popular com gratuidade para 40 medicamentos; expansão dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para abordar questões relacionadas à saúde mental; transformação do programa Mais Médicos em uma política estatal contínua; e retomada da produção nacional de vacinas, fármacos e equipamentos para garantir soberania sanitária.

Outro aspecto central é desenvolver um SUS digital que preserve o toque humano. A proposta inclui um cartão único do SUS acessível pelo celular dos cidadãos, interligado nacionalmente, sem desconsiderar a importância dos agentes comunitários na proximidade diária com as famílias. A tecnologia deve ser utilizada como suporte ao cuidado humano, não como substituta deste contato pessoal.

Diante das opções contrastantes apresentadas para o setor da saúde, a escolha torna-se clara. De um lado está um modelo que vê saúde como uma despesa a ser cortada, tendo inclusive flertado com o negacionismo durante momentos críticos da pandemia. Do outro lado está um modelo que reconhece a saúde como um investimento vital, um direito constitucional fundamental e uma peça chave para o desenvolvimento social.

Investir no SUS significa priorizar a saúde ao invés da doença ou do negacionismo; isso vai além de ser apenas um slogan — é uma diretriz governamental essencial. Essa abordagem assegura que o Brasil mantenha seu sistema público universal e gratuito como referência mundial.

Portanto, há motivos para acreditar que esperança e saúde prevalecerão novamente.

Viva o SUS!

*Nelsão da Força é sindicalista e militante do movimento pela saúde dos trabalhadores.

**Este texto não necessariamente reflete a opinião da Fórum.