O prazo para a apresentação de informações relevantes relacionadas ao Caso Master à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) se encerrou nesta sexta-feira (12). Com isso, o banqueiro Daniel Vorcaro decidiu colocar todas as suas esperanças na candidatura de Flávio Bolsonaro, além do grupo político que o apoiou em sua liberação da prisão.
Até agora, as “provas” apresentadas pela defesa de Vorcaro não surpreenderam os investigadores, que demonstraram descontentamento diante da tentativa de proteger figuras como Ciro Nogueira (PP-PI) na primeira proposta de delação e, mais recentemente, do próprio Flávio Bolsonaro. O banqueiro se referiu a Bolsonaro como alguém que teve uma postura “republicana” em relação aos mais de 10 milhões de dólares enviados ao fundo Havengate, supostamente para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Com esse panorama, espera-se que os investigadores emitam um parecer desfavorável à proposta de acordo, que será encaminhada para a decisão do relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A recusa da segunda proposta pode resultar na retirada do benefício da prisão domiciliar concedido a Vorcaro, que poderá ser transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, representando um verdadeiro pesadelo para ele.
Impacto da Eleição de Flávio Bolsonaro
Pressionado pelas investigações e relutante em delatar seus aliados no Centrão e no bolsonarismo, Vorcaro deposita suas esperanças na mesma ala política que busca proteger para conseguir a prisão domiciliar e na vitória de Flávio Bolsonaro como forma de se livrar das garras da cadeia e do inquérito relacionado ao Caso Master.
Atualmente, o banqueiro aguarda o retorno do julgamento do pedido de prisão domiciliar referente ao seu pai, Henrique Vorcaro, e ao primo Felipe Vorcaro pela segunda turma do STF.
Diante da declaração de impedimento do ministro Dias Toffoli no caso, André Mendonça e Luiz Fux votaram contra a solicitação. Gilmar Mendes pediu vista e poderá decidir favoravelmente à concessão da prisão domiciliar aos Vorcaros.
Nesse cenário, seria necessária a votação empatada em 2 a 2 por Kássio Nunes Marques para beneficiar os réus. Se isso ocorrer, Daniel Vorcaro deverá buscar um recurso para obter o mesmo privilégio concedido ao pai e ao primo.
A expectativa em relação a Nunes Marques é elevada especialmente após sua postura favorável a Flávio Bolsonaro durante sua presidência no Tribunal Superior Eleitoral, onde censurou pesquisas que indicavam uma queda significativa na pré-candidatura do senador após o surgimento de suas ligações com Vorcaro.
Ademais, as movimentações financeiras envolvendo Master beneficiaram diretamente Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques. Seu escritório recebeu R$ 281 mil provenientes de consultorias pagas por Master e JBS em 11 transferências registradas pelo Coaf.
Aguardando Flávio
Se as expectativas em relação a Nunes Marques e Gilmar Mendes se concretizarem, Vorcaro poderá aguardar o desfecho das investigações e o julgamento em uma das várias propriedades luxuosas que possui nas cidades de Brasília, Belo Horizonte ou São Paulo.
Na mesma situação em que recebeu Flávio Bolsonaro após sua primeira prisão em novembro de 2025 sob monitoramento da PF, Vorcaro poderia colaborar informalmente com a campanha contra Lula.
Vale lembrar que através de Fabiano Zettel, cunhado e pastor da Igreja Lagoinha, o grupo Master destinou R$ 3 milhões à campanha presidencial de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões à candidatura de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2022 – valores irrisórios se comparados aos 24 milhões de dólares prometidos ao clã para financiar Dark Horse.
Na época, Vorcaro ainda disponibilizou um dos seus jatos para Nikolas Ferreira (PL-MG) realizar deslocamentos pelo Brasil durante a campanha eleitoral em apoio a Bolsonaro.
Ainda sob investigação, o banqueiro poderia utilizar sua influência para favorecer a candidatura do filho “01” do ex-presidente. Se a família Bolsonaro retornar ao poder, Vorcaro poderia contar com intervenções já denunciadas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro (PL-PR), relacionadas à atuação de Flávio Bolsonaro na PF visando obstruir as investigações contra o Banco Master. Este banco recebeu autorização em 2019 do Banco Central sob Roberto Campos Neto para iniciar operações envolvidas em crimes financeiros e conexões com facções criminosas como o PCC.
