quinta-feira, julho 23

Mistério do passado: avião da Pan Am desaparecido há 74 anos é encontrado no fundo do oceano

Após 74 anos de um incidente que se tornou emblemático na história da aviação, os destroços de uma aeronave da Pan Am World Airways, a maior companhia aérea internacional dos anos 50, foram encontrados no fundo do mar, nas proximidades da costa de Porto Rico.

O acidente ocorreu em abril de 1952, quando uma aeronave da renomada companhia norte-americana caiu poucos minutos após sua decolagem do aeroporto de Isla Grande, localizado em San Juan, capital porto-riquenha, com destino à cidade de Nova York.

A aeronave, identificada pelo registro NC88899, era um Douglas DC-4. Este quadrimotor a pistão foi fabricado em 1940 pela Douglas e projetado para voos de longo alcance. No entanto, sua cabine não era pressurizada, o que limitava a altitude de cruzeiro para evitar desconforto e falta de ar entre os passageiros. A bordo estavam 64 passageiros e cinco tripulantes.

O acidente teve início quando o DC-4 começou a apresentar sérios problemas nos motores logo após a partida.

Durante a subida, o avião perdeu potência e o comandante John C. Burn constatou que não conseguiria manter o voo em segurança. Ele declarou uma emergência e optou por realizar um pouso forçado no mar, técnica conhecida como ditching, conforme relatado pela Pan Am.

A aeronave aterrissou em uma superfície marítima que havia se tornado agitada devido ao aumento do vento. Registros históricos indicam que o impacto causou a separação da parte traseira do avião, comprometendo sua flutuabilidade.

A investigação oficial realizada pelo Civil Aeronautics Board (CAB), órgão antecessor das atuais entidades responsáveis pela regulamentação e pesquisa na aviação civil dos Estados Unidos, documentou o acidente e produziu um relatório que atualmente está arquivado na National Transportation Library do Departamento de Transportes dos EUA.

<pApós o impacto, apenas 17 das 69 pessoas presentes a bordo conseguiram sobreviver; as demais 52 perderam a vida. O afundamento rápido da aeronave dificultou a evacuação dos passageiros, resultando em muitas mortes após o choque inicial.

Esse trágico acidente levou à implementação de importantes mudanças nas normas de segurança aérea. Uma das principais alterações foi a padronização dos procedimentos para segurança dos passageiros, incluindo uma demonstração universal antes da decolagem sobre as saídas de emergência e o uso correto do cinto de segurança e coletes salva-vidas.

Segundo informações da Pan Am Historical Foundation, muitos passageiros permaneceram sentados durante a confusão e pânico mesmo quando a aeronave começou a afundar. A falta de orientações prévias sobre os equipamentos e as características específicas de uma aterrissagem forçada na água tornaram a evacuação uma corrida contra o tempo.

Os restos do avião permaneceram submersos por muitos anos até que, em 2019, Russ Matthews, presidente da Air/Sea Heritage Foundation, encontrou uma etiqueta de bagagem do voo que havia chegado à costa da Flórida trazida pelas correntes marítimas. Esse achado motivou Matthews a iniciar uma busca pelos últimos momentos do voo e pelo local onde os destroços poderiam estar.

Um mapa elaborado por pilotos da Força Aérea que testemunharam o acidente contribuiu para reunir informações valiosas sobre as condições meteorológicas e os detalhes do incidente, auxiliando na estimativa da trajetória provável do avião.

Como resultado dessa pesquisa preliminar, foi delimitada uma área aproximada de 10 milhas náuticas quadradas no fundo oceânico. A primeira tentativa de localizar os destroços ocorreu em 2024, mas foi interrompida devido às condições climáticas desfavoráveis.

No início de junho de 2026, finalmente foi possível à Air/Sea Heritage Foundation encontrar os destroços do “Clipper Endeavor” da Pan Am no fundo do Oceano Atlântico ao largo da costa norte de Porto Rico. Essa descoberta foi divulgada pelo Discovery Channel em um comunicado oficial. Um drone submarino equipado com sonar conseguiu identificar uma estrutura compatível com aquela aeronave durante a busca inicial na área designada.

Restos identificados do avião. Créditos: Discovery Channel

Após um levantamento fotográfico subsequente, foi confirmada a presença de partes da fuselagem e cauda da aeronave com características visuais associadas à Pan Am.

Os destroços foram localizados a cerca de 610 metros abaixo da superfície do mar.

A identificação do Clipper Endeavor pela Air/Sea Heritage Foundation deve contribuir para preservar esse local como um recurso cultural importante relacionado à história da aviação.

O legado desse acidente gerou uma série de melhorias nos procedimentos emergenciais e na modernização das instruções e equipamentos voltados à segurança em casos semelhantes. Em 1956, apenas quatro anos após o desastre, novas regras passaram a exigir instruções detalhadas sobre coletes salva-vidas para certas operações. Com o tempo, essas diretrizes foram ampliadas para incluir outros aspectos relevantes à segurança dos passageiros.