quinta-feira, junho 11

Ricardo Nunes demite empregado sob investigação por contratos relacionados ao filme Dark Horse

A Prefeitura de São Paulo decidiu afastar um gerente da São Paulo Turismo (SPTuris), que está sendo investigado pela Controladoria-Geral do Município (CGM). A investigação se concentra na contratação do Instituto Conhecer Brasil (ICB), cuja presidência é ocupada por Karina Ferreira da Gama, que também lidera a produtora do filme “Dark Horse”.

O servidor afastado, Rodrigo Raveli Bolzan, atuou anteriormente como sócio da Complexys Soluções Integradas. Essa empresa está entre as que estão sendo analisadas pela Polícia Civil no inquérito que investiga possíveis desvios de verbas públicas destinadas ao ICB.

As apurações indicam que uma fração dos recursos recebidos pelo instituto em contratos com a prefeitura pode ter sido redirecionada para a realização do longa-metragem que aborda o atentado ao ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018.

Conforme informações divulgadas, a SPTuris firmou contratos no valor aproximado de R$ 12 milhões com a Complexys, e Bolzan era o responsável pela fiscalização de algumas dessas contratações.

O prefeito Ricardo Nunes confirmou o afastamento de Bolzan, mas não forneceu detalhes sobre a possível existência de um conflito de interesses como razão para essa decisão. “Ele foi afastado das funções. Uma investigação está em andamento pela Controladoria”, declarou Nunes.

A administração municipal expressou seu desejo de conduzir a investigação rapidamente. “Não queremos deixar nenhuma dúvida sobre essa situação”, afirmou o prefeito, garantindo que “o processo será ágil e célere. Caso alguma ilegalidade seja identificada, ele será demitido imediatamente”.

Essas declarações ocorreram durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (9), após a inauguração de uma nova unidade de saúde na zona sul da cidade.

Operação policial investiga contrato de R$ 108 milhões

<p Na última semana, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Complexys, situada na Vila Mariana, como parte de uma operação que investiga contratos relacionados ao ICB e à produtora vinculada ao filme "Dark Horse".

No total, foram realizados procedimentos em oito locais diferentes.

A investigação está centrada em possíveis fraudes licitatórias e superfaturamento em um contrato avaliado em R$ 108 milhões entre a prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil, destinado à instalação de uma rede de wi-fi gratuita nas áreas periféricas da capital.

A Polícia Civil encontrou indícios de confusão patrimonial envolvendo as contas pessoais de Karina Ferreira da Gama e levantou suspeitas sobre a transferência de verbas públicas destinadas ao instituto para a produtora Go UP Entertainment, encarregada do filme.

A Complexys foi contratada pelo ICB para fornecer parte da infraestrutura necessária para o projeto. Os investigadores estão examinando a validade de R$ 2,4 milhões em notas fiscais emitidas pela empresa em favor do instituto.

Sabe-se que esses documentos foram apresentados na prestação de contas à prefeitura, mas cancelados no mesmo dia em que foram gerados.

Instituto afirma estar colaborando com as investigações

Após os desdobramentos da operação policial, o Instituto Conhecer Brasil informou que está colaborando com as autoridades competentes e anunciou a contratação de auditoria e perícia especializadas para acompanhar todo o processo investigativo.

A entidade divulgou uma nota afirmando que “a equipe jurídica do instituto contratou perícia e auditoria especializada para oferecer suporte técnico e jurídico durante toda a investigação”.

Investigações sobre financiamento do filme também estão em andamento

A produção cinematográfica “Dark Horse” passou a ser alvo de escrutínio após reportagens revelarem detalhes sobre seu financiamento.

A publicação The Intercept Brasil trouxe à tona áudios e mensagens que sugerem negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, visando assegurar recursos para o projeto cinematográfico.

Segundo essas informações, Vorcaro teria disponibilizado R$ 61 milhões para financiar o filme.

Simultaneamente, a Polícia Federal analisa se parte desses fundos foi utilizada para cobrir despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Tanto Flávio Bolsonaro quanto Eduardo Bolsonaro negam qualquer irregularidade nas negociações referentes aos recursos destinados ao filme.