A morte de Darya Shipilova, uma jovem de 28 anos, em um hospital na cidade de Shelekhov, na Sibéria, gerou uma onda de apreensão global.
Darya trabalhava no Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk e foi internada no dia 29 de setembro, falecendo no dia 2 de outubro devido a pneumonia.
As ações tomadas pelas autoridades locais para controlar a possível proliferação de uma epidemia resultaram em postagens alarmistas e disseminação de fake news nas redes sociais.
Em resposta a questionamentos da mídia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano está monitorando a situação atentamente.
Cerca de 200 indivíduos foram colocados em quarentena pelas autoridades locais como medida preventiva.
A agência russa encarregada do caso informou que todos os contatos próximos de Darya foram testados e nenhum patógeno relacionado ao seu trabalho no laboratório foi detectado.
Até o momento, não foi possível identificar o agente causador da pneumonia que levou à morte da jovem.
Com a tensão entre os países por conta da guerra na Ucrânia, a mídia ocidental passou a relembrar episódios históricos relacionados ao silêncio do Kremlin, semelhante ao ocorrido durante o vazamento radioativo na usina nuclear de Chernobyl.
Um legado sombrio
A peste se apresenta em diversas formas, incluindo a bubônica (caracterizada pelo inchaço dos gânglios linfáticos), septicêmica (quando a bactéria está presente na corrente sanguínea) e pneumônica (que pode ser transmitida diretamente entre pessoas por meio da tosse ou espirros).
A Peste Negra, considerada a epidemia mais mortal da história humana entre 1346 e 1353, resultou na morte de pelo menos 30% da população europeia na Idade Média.
Estima-se que essa epidemia tenha sido causada por uma onda de peste pneumônica, cuja taxa de transmissão é estimada em 1 para 1,3. Isso significa que cada pessoa infectada pode contaminar pelo menos outra pessoa.
Os sintomas dessa doença incluem febre alta, calafrios, dores corporais e de cabeça, tosse com catarro espumoso avermelhado, falta de ar e dor torácica.
Mais de 200 espécies de mamíferos, sobretudo roedores, são portadoras da bactéria Yersinia pestis, responsável pela peste. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2019 e 2025 foram registradas 423 mortes por peste em dez países diferentes.
O diretor-geral da OMS declarou: “Ainda não temos uma visão completa desse acontecimento e não conseguimos realizar uma avaliação abrangente dos riscos”.
Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que há uma grande quantidade de informações falsas circulando sobre o caso.
As autoridades russas também negaram a presença de um segundo caso relacionado à situação.
