O setor musical no Brasil movimenta anualmente cerca de R$ 116 bilhões, solidificando-se como um dos componentes mais significativos da economia criativa nacional. Apesar de seus números impressionantes, a quantia que realmente chega aos artistas varia amplamente de acordo com a fonte de receita, sendo os shows ao vivo a principal forma de sustento para muitos músicos.
Essas informações são provenientes do estudo intitulado “O PIB da Música no Brasil”, realizado pela Associação Nacional da Indústria da Música (ANAFIMA), e de investigações conduzidas pela Pro-Música Brasil sobre a indústria musical no país.
Conforme revelado pelo estudo, a maioria da movimentação financeira do setor está ligada às apresentações ao vivo, que geram cerca de R$ 94 bilhões por ano. Logo após, vêm os segmentos relacionados a instrumentos musicais e equipamentos de áudio, que movimentam R$ 13,9 bilhões.
A indústria fonográfica, que abrange a música gravada, apresenta faturamento anual de R$ 3,958 bilhões. Além disso, o setor conta com R$ 2,6 bilhões provenientes de recursos públicos e aproximadamente R$ 1,8 bilhão oriundos da arrecadação de direitos autorais.
Diante desse panorama, o Brasil se posiciona como o oitavo maior mercado musical do planeta.
Streaming é predominante na indústria fonográfica
A ascensão das plataformas digitais alterou profundamente o consumo musical e agora representa a principal fonte de receita para a indústria fonográfica. Hoje em dia, o streaming corresponde a 87% do faturamento da música gravada no Brasil.
Embora serviços como Spotify repassem em média cerca de 70% da receita bruta aos titulares dos direitos musicais, o dinheiro percorre um longo caminho até chegar aos artistas.
Em contratos convencionais, gravadoras e distribuidoras costumam ficar com uma parte significativa dos lucros, variando entre 50% e 60%. Artistas e intérpretes recebem em média de 15% a 20%, enquanto compositores e editoras muitas vezes ficam com menos de 10%, valores esses distribuídos pelos mecanismos de arrecadação de direitos autorais.
No caso dos músicos independentes, sua participação pode ser maior; no entanto, eles arcam sozinhos com todos os custos relacionados à gravação, produção, divulgação e distribuição das suas obras.
Um outro desafio reside na remuneração por reproduções. As plataformas digitais pagam frações mínimas por execução musical, resultando em receitas limitadas mesmo para canções que alcançam milhões de reproduções quando comparadas aos custos envolvidos na atividade.
<pPor essa razão, muitos artistas enxergam o streaming mais como uma ferramenta para promoção e construção de audiência do que uma fonte primária de renda.
Shows ao vivo garantem maiores retornos financeiros
Diferentemente do ambiente digital onde os ganhos são divididos entre vários participantes da cadeia produtiva, nos shows ao vivo os músicos conseguem reter uma parte consideravelmente maior dos recursos financeiros.
Ao descontar taxas de agenciamento — geralmente entre 10% e 20% — além dos custos operacionais relacionados à equipe técnica, transporte e estrutura necessária para as apresentações, os artistas frequentemente ficam com entre 50% e 70% do valor líquido dos cachês recebidos.
Esse cenário explica por que as apresentações ao vivo são consideradas o motor econômico do setor musical brasileiro. Além de representar a maior fatia do mercado financeiro, os shows proporcionam aos artistas uma remuneração mais direta e muitas vezes superior àquela obtida através das plataformas digitais.
A mistura entre uma forte presença digital e uma agenda ativa de shows é vista como a estratégia mais eficaz para garantir a sustentabilidade financeira dos músicos em um mercado cada vez mais tecnológico mas ainda fortemente dependente das experiências ao vivo.
