quinta-feira, julho 16

Maestro sob suspeita de assédio infantil alega influência de professores com ideologia nazista

O maestro Marco Aurélio Xavier, criador do extinto coral Meninas Cantoras de Petrópolis, adotou uma postura irônica diante das sérias acusações de abuso envolvendo ex-integrantes do grupo. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele declarou: “Sou muito pior do que disseram”, fazendo referências provocativas ao nazismo, o que resultou na abertura de um inquérito pela Polícia Civil do Rio de Janeiro para investigar possível apologia ao regime nazista.

As denúncias vieram à tona em junho de 2026, após a veiculação da matéria “Um grito preso na garganta” pela Revista Piauí. A reportagem incluiu depoimentos de 17 ex-coralistas, com idades variando entre 24 e 60 anos, que compartilharam suas experiências de assédio moral, abusos físicos, psicológicos e sexuais ocorridos ao longo de quatro décadas, quando eram ainda crianças e adolescentes.

Relatos de abusos desde a infância

Conforme a matéria, seis ex-participantes relataram ter sofrido abusos sexuais durante sua atuação no coral, que era composto por meninas com idades entre 9 e 15 anos. Os testemunhos indicam que os incidentes ocorriam durante viagens do grupo, em caronas oferecidas pelo maestro após ensaios e até mesmo em quartos de hotel onde ele se hospedava.

Além disso, as ex-coralistas descreveram um ambiente marcado por controle severo e humilhações constantes. Elas relataram punições rigorosas e restrições quanto ao uso do banheiro durante ensaios prolongados, o que resultou em algumas meninas urinando nas próprias roupas.

O prestígio nacional do coral, que nos anos 1990 realizou gravações e shows ao lado de artistas renomados da música brasileira, parece ter fortalecido a autoridade do maestro perante as famílias e os integrantes do grupo.

Vídeo provocativo gera indignação

A primeira manifestação pública de Marco Aurélio Xavier foi considerada extremamente polêmica. No vídeo intitulado “Sou muito pior do que disseram”, o maestro criticou a revista por ter “perdido tempo” ao divulgar as denúncias sem antes ouvi-lo e afirmou que possuía “barbaridades maiores” para compartilhar sobre si mesmo.

Na gravação, ele concluiu com a frase:

“Afinal, meus grandes mestres foram nazistas. Fica a dica.”

Embora o conteúdo tenha sido removido poucas horas depois de sua publicação, ele já havia se espalhado nas redes sociais, gerando uma forte reação da opinião pública.

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Mudança de postura após repercussão negativa

Após a onda de críticas, o maestro passou a negar as acusações. Em entrevistas à imprensa local, ele descreveu os relatos como caluniosos e afirmou não ter tido a chance de se defender antes da divulgação da reportagem.

A jornalista responsável pela matéria revelou que tentou contatar o maestro para obter sua versão dos fatos, mas ele teria recusado as entrevistas e bloqueado os meios de comunicação.

Marco Aurélio Xavier também declarou que “todos os envolvidos terão que provar suas alegações” na Justiça.

Investigação criminal em curso

As afirmações relacionadas ao nazismo levaram a Polícia Civil do Rio de Janeiro a iniciar um inquérito na 105ª DP em Petrópolis, sob solicitação da Promotoria de Justiça de Investigação Penal.

A investigação tem como objetivo verificar se o vídeo constitui apologia ao nazismo e avaliar a gravidade das declarações feitas pelo maestro em meio às denúncias sobre crimes sexuais contra menores.

O caso ainda está sob investigação e não há denúncia formal apresentada até o momento pelo Ministério Público.