quinta-feira, julho 16

Flávio Bolsonaro enfrenta descontentamento até entre seus aliados após aumento de tarifas de Trump, revela estudo

Uma recente pesquisa realizada pela Genial/Quaest e divulgada nesta quinta-feira (16) revela que as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros estão impactando negativamente a intenção de voto em Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL. Este efeito é notável mesmo entre eleitores alinhados à direita e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O estudo foi conduzido entre os dias 10 e 13 de julho, ou seja, antes da confirmação oficial da medida por Washington, sendo publicado poucas horas após essa validação. Enquanto Flávio Bolsonaro apresenta uma queda nas intenções de voto, Lula, por sua vez, tem visto seu apoio crescer, beneficiado pela percepção de que o senador é o responsável pelo aumento das tarifas.

Os dados coletados refletem o clima entre os eleitores antes da confirmação oficial, proporcionando um panorama sobre o impacto inicial da medida, mesmo antes dos efeitos econômicos diretos serem sentidos.

Os pesquisadores questionaram diretamente os participantes se o aumento das tarifas influenciava suas preferências eleitorais em relação a Lula, Flávio Bolsonaro ou outros pré-candidatos. A margem de erro para a amostra total é de dois pontos percentuais, com variações de acordo com o posicionamento político dos entrevistados. Os resultados indicam claramente que o aumento das tarifas provocou uma mobilização do eleitorado que favoreceu a candidatura petista.

Queda na intenção de voto para Flávio Bolsonaro entre eleitores bolsonaristas e da direita

No total geral, a intenção de voto em Flávio Bolsonaro caiu de 30% em junho para 27% em julho, uma redução de três pontos percentuais. Embora esse número já sugira um desgaste, as análises mais detalhadas revelam uma erosão ainda mais acentuada em determinados segmentos políticos.

<pEntre os eleitores da direita não bolsonarista, com margem de erro estimada em cinco pontos percentuais, a queda foi significativa: houve uma diminuição de dez pontos na intenção de voto, passando de 70% para 60%. Em contrapartida, a opção por “outro” pré-candidato aumentou nesse grupo, subindo de 19% para 29%.

Esse movimento indica que parte do eleitorado da direita que já havia se distanciado do clã Bolsonaro encontra agora no aumento das tarifas um motivo adicional para considerar alternativas.

Já na base bolsonarista, onde a margem de erro é estimada em seis pontos percentuais, o impacto da medida foi uma queda de sete pontos: de 88% para 81%. Mesmo entre os apoiadores mais fiéis ao ex-presidente, a tarifa americana gerou um impacto notável.

A escolha por outros candidatos também cresceu proporcionalmente entre esse grupo. Essas oscilações superam as margens de erro respectivas nos dois casos analisados, conferindo relevância estatística ao recuo observado.

Lula conquista novos apoiadores enquanto culpa recai sobre Flávio

Por outro lado, Lula saiu fortalecido dessa situação. A proporção dos entrevistados que afirmaram que o aumento das tarifas elevou sua disposição de votar no presidente passou de 39% em junho para 42% em julho, um avanço de três pontos percentuais.

A alta mais expressiva ocorreu entre os eleitores independentes: nesse segmento específico, a intenção de voto em Lula saltou de 26% para 33%, uma variação positiva de sete pontos que ultrapassa a margem de erro deste grupo, fixada em quatro pontos. Nesse mesmo eleitorado, as intenções voltadas para “outro” pré-candidato diminuíram de 45% para 38%.

Os independentes costumam ser decisivos em disputas polarizadas e os dados sugerem que a controvérsia em torno do aumento das tarifas está funcionando como um trunfo eleitoral para a campanha petista nesse segmento.

A disputa sobre quem é o responsável pela medida também parece favorecer Lula. Segundo os resultados da pesquisa, 51% dos brasileiros acreditam na versão do presidente, que atribui a responsabilidade pelo aumento das tarifas a Flávio Bolsonaro; este número era 47% no mês anterior.

A narrativa apresentada por Flávio Bolsonaro — segundo a qual ele teria solicitado ao ex-presidente Trump que não taxasse o Brasil — convence apenas 30% dos entrevistados atualmente, uma redução significativa em comparação aos 35% registrados anteriormente.

Além disso, 63% dos brasileiros afirmam que as tarifas terão impacto direto em suas vidas, transformando essa questão comercial em um tema cotidiano e aumentando o custo político para aqueles associados à medida tomada pelos Estados Unidos.