A Marinha da China apresentou seu mais recente caça embarcado de longo alcance, o J-15T, que está armado com quatro mísseis antinavio YJ-83K.
Esta nova aeronave simboliza a evolução da aviação embarcada chinesa, sendo capaz de operar com até quatro mísseis que pesam aproximadamente 700 quilos cada. No total, o J-15T pode carregar cerca de 2,8 toneladas de armamento antinavio, sem contar outros mísseis ar-ar, tanques de combustível externos ou equipamentos adicionais.
O desenvolvimento do J-15T visa modernizar e expandir as capacidades aéreas dos porta-aviões Liaoning e Shandong, que utilizam rampas para decolagem, além do novo Fujian, que se destaca por ser o primeiro porta-aviões chinês equipado com catapultas eletromagnéticas.
Conforme anunciado pelo Ministério da Defesa Chinês, o J-15T passou por diversas modificações para operar com sistemas de catapulta. Essa atualização permite ao caça transportar mais combustível e realizar ataques a distâncias superiores em comparação ao modelo anterior. Além disso, a aeronave foi equipada com novos materiais reforçados e um sistema aviônico mais moderno.
O YJ-83K é uma versão aérea da família de mísseis antinavio YJ-83. Trata-se de uma arma subsônica projetada para atingir navios na superfície, utilizando um perfil de voo baixo durante sua aproximação ao alvo para minimizar o tempo de resposta dos sistemas antiaéreos adversários.
Comissionado em novembro de 2025, o Fujian se tornou o terceiro porta-aviões da Marinha da China.
Com um deslocamento aproximado de 80 mil toneladas, esse navio é maior que os porta-aviões Liaoning e Shandong, mas ainda menor que os modelos nucleares americanos da classe Gerald R. Ford, que pesam cerca de 100 mil toneladas.
Os caças J-15T e J-15 a bordo do Shandong. Créditos: Zhanghui / reprodução
Dessa forma, a China se torna a segunda nação a operar um porta-aviões com catapultas eletromagnéticas, seguindo os passos dos Estados Unidos. Esse sistema foi desenvolvido inicialmente para o USS Gerald R. Ford e seus sucessores.
A tecnologia das catapultas eletromagnéticas proporciona um controle mais preciso sobre a aceleração das aeronaves e aumenta a energia no lançamento em comparação aos tradicionais sistemas a vapor. Segundo informações da Marinha dos Estados Unidos, o EMALS também foi projetado para diminuir o estresse nas aeronaves lançadas, ampliar a gama de plataformas utilizáveis e otimizar as operações.
Para a China, essa inovação é crucial pois permite utilizar aviões que apresentariam dificuldades ou seriam inviáveis para operações eficientes em rampa.
No mês de setembro de 2025, a Marinha chinesa confirmou que tanto o J-15T quanto o caça stealth J-35 e o avião de alerta antecipado KJ-600 realizaram com sucesso decolagens assistidas por catapulta e pousos com cabo no Fujian.
A versão original do J-15 é baseada na família dos caças Su-27 e Su-33 soviéticos, mas passou por extensas adaptações pela indústria chinesa.
Análises do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) ressaltam que o sistema do Fujian é capaz de lançar aeronaves com uma quantidade maior de combustível e armamentos em comparação aos porta-aviões anteriores da China. O estudo também enfatiza que este novo porta-aviões representa um avanço tecnológico significativo em relação ao Liaoning e ao Shandong.
No entanto, ainda será necessário observar se o Fujian consegue manter suas capacidades técnicas em operações prolongadas ao longo do tempo.
