quinta-feira, julho 23

O projeto bilionário que pode transformar o comércio no Oriente Médio ao redor de Ormuz

A DP World, uma renomada empresa de logística e infraestrutura com sede em Dubai, firmou um contrato com a Autoridade Portuária de Fujairah para a construção de dois novos terminais nos Emirados Árabes Unidos. Essa iniciativa visa estabelecer uma alternativa marítima ao Estreito de Ormuz, uma rota estratégica que se tornou alvo de tensões geopolíticas na região entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.

Com a administração de mais de 60 portos em todo o mundo, a DP World também possui um terminal privado localizado na margem esquerda do Porto de Santos, em São Paulo. Este terminal é especializado em soluções logísticas e serviços portuários.

Os projetos incluem um terminal dedicado a contêineres e carga multipropósito em Al Rugaylat, além de um terminal para carga geral em Dibba. A nova infraestrutura será composta por um gateway comercial de águas profundas na costa leste dos Emirados, possibilitando a operação de navios porta-contêineres ultragrandes (ULCVs).

Fujairah é o único emirado dos sete que compõem os Emirados Árabes Unidos que está totalmente voltado para o Golfo de Omã, estabelecendo uma conexão direta com o Mar Arábico e o Oceano Índico.

Conforme informações da Agência de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA), o porto de Fujairah está situado no lado oriental do estreito e pode ser acessado sem necessidade de passar pela passagem entre Irã e Omã, que tem sido impactada por conflitos armados.

Em 2024, estima-se que cerca de 20 milhões de barris diários de petróleo, condensados e derivados transitem pelo Estreito de Ormuz, representando aproximadamente 20% do consumo global desses líquidos e cerca de um quarto do petróleo transportado por via marítima.

A EIA classifica o Estreito como um dos principais pontos críticos no comércio global de energia. As opções alternativas disponíveis atualmente não possuem capacidade suficiente para atender ao volume normalmente movimentado pela rota tradicional.

O novo terminal Al Rugaylat da DP World está projetado para movimentar até 2,5 milhões de TEUs anualmente, além de 1,7 milhão de toneladas em carga geral. Por sua vez, o terminal geral em Dibba acrescentará uma capacidade anual estimada em até 3,6 milhões de toneladas.

A capacidade total para movimentação de contêineres da DP World nos Emirados deve aumentar significativamente, passando dos atuais 19,4 milhões para quase 22 milhões de TEUs.

A previsão é que a construção dos novos terminais leve cerca de 30 meses após o início das obras. Essa nova estrutura será integrada ao porto Jebel Ali em Dubai, um dos centros logísticos mais importantes da região do Oriente Médio.

A interrupção das exportações energéticas através do Estreito devido a conflitos entre os EUA e Irã já resultou em pressão sobre os preços internacionais do petróleo e numa queda significativa nos fluxos diários, atingindo cerca de 20 milhões de barris — a maior crise no fornecimento do mercado petrolífero global na última década.

Os Emirados Árabes Unidos já contam com um oleoduto que liga campos petrolíferos em Abu Dhabi ao terminal exportador em Fujairah, com capacidade aproximada para 1,5 milhão de barris diários sem passar pelo Estreito.

Além disso, está sendo desenvolvida uma segunda infraestrutura para aumentar essa capacidade. A ADNOC anunciou que acelerará as obras para construir um segundo oleoduto visando dobrar a capacidade exportadora por Fujairah até sua conclusão prevista para 2027.

A localização estratégica dos novos terminais da DP World facilita conexões logísticas com países como Índia e regiões do Sudeste Asiático e da costa leste da África, todas acessíveis através do Oceano Índico.

A DP World aprovou um investimento adicional significativo no valor de R$ 1,6 bilhão com o intuito de ampliar a capacidade do terminal no Porto de Santos para 2,1 milhões de TEUs anualmente até 2028. Esse aporte se soma aos mais de R$ 3 bilhões investidos desde o início das operações no Brasil. Em 2024, a movimentação ultrapassou 1,25 milhão de TEUs.

O terminal está situado na Ilha Barnabé e conta com cais medindo 1.100 metros. Além disso, há integração com conexões ferroviárias e uma área destinada à expansão que abrange 131 mil m². As obras atuais visam expandir o cais e aumentar a capacidade para 1,7 milhão de TEUs até 2026; posteriormente essa capacidade será elevada para 2,1 milhões de TEUs.