sexta-feira, outubro 23

Campanhas alcançam consenso sobre a divulgação de sigilos após provocação de Lula

Na última quinta-feira (22), o ex-presidente Lula, representando o Partido dos Trabalhadores (PT), compareceu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assinar um acordo que permitirá a liberação de seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos. Flávio Bolsonaro, do PL, também concordou com o acordo, mas através de uma procuração assinada por sua advogada Maria Claudia Bucchianeri.

Esse entendimento surgiu após o desafio proposto por Lula durante um debate na Band e estabelece que as informações de ambos os candidatos, suas famílias e empresas serão divulgadas simultaneamente. Contudo, a implementação dessa medida ainda precisa da aprovação do ministro André Mendonça, que é o relator do caso.

A troca de propostas teve início no domingo (18), quando Lula instigou Flávio a tornar públicos seus dados financeiros e telefônicos. Inicialmente, Flávio se mostrou relutante em aceitar a sugestão, mas posteriormente apresentou exigências para aderir ao compromisso.

Um dos pontos centrais da negociação foi a Alcazar Holdings, uma empresa situada na Ilha da Madeira e pertencente ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Informações da Polícia Federal, que foram mencionadas pela defesa de Lula, indicaram que Flávio era considerado “usuário master” de uma conta bancária da empresa, sendo que essa relação teria se encerrado em maio de 2025.

A campanha de Lula solicitou que os dados referentes à Alcazar fossem incluídos no acordo. O presidente do PT, Edinho Silva, declarou que os representantes de Flávio aceitaram essa condição após alguma resistência inicial.

O pacto estipula que as informações sejam disponibilizadas em uma plataforma pública e exige que as autorizações necessárias sejam entregues até as 23h59 do mesmo dia.

Mesmo com a assinatura do documento, a campanha de Flávio ainda levanta algumas objeções. Bucchianeri argumentou que a abertura dos sigilos deveria abranger um período maior do que os oito anos previamente estabelecidos e afirmou que deseja examinar os documentos de Lula antes de divulgar os dados relacionados ao candidato bolsonarista.

A advogada também requisitou registros das entradas e saídas nos palácios presidenciais e informações telefônicas sobre um ex-chefe de gabinete de Lula.

No lado petista, alguns aliados expressam desconfiança quanto ao cumprimento do compromisso por parte de Flávio. O ministro Guilherme Boulos comentou que a campanha adversária busca criar obstáculos, enquanto o advogado Marco Aurélio de Carvalho criticou a exigência de apresentação prévia dos dados por parte do presidente.

O acordo abrange não apenas os candidatos, mas também seus familiares, incluindo Janja, filhos de Lula, Jair Bolsonaro e outros membros da família do senador, além das empresas vinculadas às partes envolvidas.

A divulgação das informações agora depende dos trâmites no TSE. As campanhas solicitaram ao ministro Mendonça que requisitasse os dados ao Banco Central, à Receita Federal, às instituições financeiras e às operadoras telefônicas.