quinta-feira, julho 16

Bolsonaro supostamente endossa carta a Flávio temendo a perda de poder da família

Jair Bolsonaro teria dado seu apoio à carta que foi divulgada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após ser alertado por aliados sobre o perigo de seus três filhos mais velhos não terem mandato ao final das eleições de 2026. A preocupação gira em torno da possível derrota de Flávio na corrida pelo Palácio do Planalto, a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina e a situação eleitoral de Eduardo Bolsonaro.

A jornalista Malu Gaspar, do O Globo, revelou que o alerta dirigido a Jair Bolsonaro indicou um temor real sobre a perda de representação do clã no Legislativo, o que influenciou sua decisão de manifestar apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

No último sábado (11), Flávio divulgou uma carta escrita por seu pai após visitá-lo. No documento, Jair Bolsonaro pediu unidade em torno do senador e tentou reafirmar sua posição como representante na eleição presidencial, em um momento marcado por tensões na pré-campanha e disputas internas dentro da extrema direita.

Flávio Bolsonaro pode entrar em 2026 sem mandato

Flávio ocupa uma cadeira no Senado representando o Rio de Janeiro desde 2019, com seu mandato oficial se estendendo até 2027. Contudo, como pré-candidato à Presidência da República, ele não está concorrendo à renovação do cargo de senador. Assim, uma eventual derrota nas eleições presidenciais poderia resultar na saída do filho mais velho de Jair Bolsonaro do Congresso ao término da atual legislatura.

A situação gera apreensão entre os aliados devido às dificuldades que a candidatura de Flávio enfrenta, até mesmo entre partidos alinhados à direita. Em maio, foi reportado que a Federação União Progressista considerava improvável apoiar o senador e ponderava adotar uma postura neutra na eleição presidencial.

A pré-campanha também apresenta sinais de fraqueza em regiões onde Jair Bolsonaro obteve significativos resultados anteriormente. Um levantamento da Quaest divulgado recentemente mostrou que Flávio perdeu apoio em áreas estratégicas para o bolsonarismo.

Carlos e Eduardo aumentam as preocupações de Jair Bolsonaro

O cenário apresentado a Jair inclui ainda as candidaturas de Carlos e Eduardo Bolsonaro. Carlos deixou sua função como vereador no Rio para concorrer ao Senado por Santa Catarina, mas é visto como tendo desafios significativos nesta eleição por aqueles próximos à família envolvidos na apuração.

Eduardo, por outro lado, não está mais no cargo de deputado federal. Sua inelegibilidade resulta em menores chances de retorno ao Congresso nas eleições de 2026, segundo informações publicadas.

Essa conjuntura pode levar os três filhos mais velhos de Jair Bolsonaro a ficarem sem cargos eletivos simultaneamente. Enquanto Flávio depende da vitória presidencial; Carlos busca uma vaga no Senado fora do seu reduto eleitoral; e Eduardo enfrenta barreiras eleitorais.

As eleições gerais ocorrerão no dia 4 de outubro de 2026 e determinarão os ocupantes dos cargos da Presidência da República, governadores estaduais, senadores, deputados federais e membros das assembleias legislativas.

A carta provocou reações no Supremo Tribunal Federal

A estratégia para garantir a presença política dos Bolsonaro gerou repercussões imediatas no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes avaliou que Flávio utilizou a visita ao pai para obter e divulgar uma carta com fins eleitorais.

Moraes decidiu proibir Flávio Bolsonaro de visitar Jair Bolsonaro pelo período de 90 dias. A determinação se baseia na constatação de que o senador publicou a mensagem paterna nas redes sociais apesar das restrições impostas ao ex-presidente.

A decisão tomada por Alexandre Moraes foi detalhada em publicações subsequentes. O ministro enfatizou que Jair não deve usar seus filhos ou outros intermediários para disseminar mensagens nas plataformas digitais.

Em um novo despacho, Moraes destacou que a carta apoiava a pré-candidatura de Flávio e reiterou a proibição do uso indevido das chamadas “laranjas digitais”. Essa resolução está registrada no Diário da Justiça Eletrônico do STF.

Bolsonaro busca preservar o projeto político familiar

A preocupação com a possibilidade do clã perder seus mandatos adiciona uma nova camada à insistência de Jair Bolsonaro na candidatura presidencial de Flávio. Não se trata apenas da sucessão eleitoral; está em jogo também a capacidade da família manter estruturas partidárias, visibilidade parlamentar e influência dentro da extrema direita.

A carta também busca amenizar as divergências existentes entre Flávio, Michelle Bolsonaro e outros membros do PL. A ex-primeira-dama exerce influência sobre a base bolsonarista e surge como uma alternativa na disputa pelo controle do capital político deixado pelo ex-presidente.

Com o intuito de reafirmar Flávio como seu representante, Jair tenta evitar a fragmentação da base e assegurar o controle familiar sobre o bolsonarismo. No entanto, essa estratégia não elimina os riscos apontados pelos aliados: uma derrota do senador em outubro pode deixar os três filhos mais velhos do ex-presidente sem mandato após as eleições de 2026.