sexta-feira, junho 5

Daniel Vorcaro foi a única ausência notável na Marcha para Jesus em São Paulo

A Marcha para Jesus, realizada hoje em São Paulo, contou com a presença de diversas figuras ligadas, de forma direta ou indireta, ao maior escândalo financeiro já registrado no Brasil: o caso do Banco Master.

  • Flávio Bolsonaro, candidato da extrema direita e conhecido como “irmãozão” de Vorcaro, que recebeu expressivos R$ 63 milhões para a produção do filme-biografia de seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado;
  • Tarcísio de Freitas, governador paulista que obteve a maior contribuição para sua campanha através de Daniel Vorcaro, por meio de Fernando Zettel, totalizando R$ 2 milhões;
  • Ricardo Nunes, prefeito da capital paulista, que contratou Karina Ferreira da Gama — empresária responsável pelo filme sobre a trajetória criminosa de Jair Bolsonaro — para implementar cinco mil pontos de wifi na cidade. Essa concorrência levanta suspeitas, já que apenas a empresa de Karina participou e apresentou um valor cinco vezes superior à média do mercado local;
  • André Mendonça, ministro do STF e vice-presidente do TSE, que é o relator do caso Master e ainda não tomou providências para investigar ou quebrar os sigilos fiscais e bancários dos envolvidos, especialmente no que tange a Flávio Bolsonaro.

A ausência notável foi a de Daniel Vorcaro, o “irmãozão”, atualmente preso, assim como seu parceiro Fernando Zettel, também pastor e detido.

Os demais estavam no trio elétrico “em nome de Jesus”, enquanto o público assistia abaixo.

Uma reportagem revela que o candidato da extrema direita fez uma viagem aos Estados Unidos com o intuito de convencer Trump a classificar as organizações criminosas PCC e CV como terroristas. Além disso, conseguiu aumentar tarifas sobre produtos brasileiros entre 12,5% e 25%. Durante seu discurso na marcha, ele mencionou uma luta entre o Bem e o Mal.

Bom dia, São Paulo, povo abençoado por Deus. Vamos orar pelo nosso Brasil. Esta guerra é espiritual e hoje é a maior resposta que podemos dar ao mundo maligno que será expulso do governo brasileiro este ano”, declarou o senador, que frequentemente afirma estar ao lado de Deus enquanto coloca Lula como aliado do diabo.

Vestindo uma camisa polo da marca Lacoste com o emblema da Marcha — utilizada pelos destaques do evento — Flávio concedeu uma entrevista ao canal no YouTube que transmitia a celebração.

 

 

“Eu gostaria muito que meu pai estivesse aqui conosco hoje, mas lutaremos por ele”, disse o senador. A entrevistadora interrompeu afirmando: “Ano que vem, se Deus quiser, profetizamos que Flávio voltará aqui”.

 

 

A fala de Flávio sobre Bem contra Mal se torna ainda mais intrigante considerando seu histórico. Ele sustentou em seu gabinete a mulher e mãe do miliciano Adriano da Nóbrega — um dos principais assassinos do Escritório do Crime — além de ser filho de Jair Bolsonaro. Este último é apontado como responsável por incontáveis mortes durante a pandemia da Covid-19; zombou daqueles que faleceram devido à falta de oxigênio em Manaus e dos suicídios causados por depressão. Jair também incentivou planos que visavam assassinatos políticos contra Lula, Alckmin e Moraes.

Tudo isso seria realmente feito “em nome de Jesus”?