A turnê “Loop”, do cantor britânico Ed Sheeran, ficou sem artistas de abertura após uma sequência de desligamentos motivados por declarações em apoio à causa Palestina. A crise começou depois que o rapper americano Macklemore fez um discurso pró-Palestina durante um show em Nova Jersey, nos Estados Unidos, no início de setembro.
No dia 4, Macklemore se apresentou no MetLife Stadium, em Nova Jersey, como atração de abertura de Sheeran. Segundo o jornal britânico The Guardian, o rapper gritou “Free Palestine” (Palestina Livre, em tradução literal) e afirmou que queria que os moradores da Faixa de Gaza e da Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidos.
A manifestação provocou uma reação do Conselho Israelense-Americano (Israeli American Council), que lançou uma petição para pedir a retirada do rapper da turnê.
A Messina Touring Group, promotora responsável pela etapa americana dos shows, confirmou à revista Rolling Stone que Macklemore não participaria das datas restantes.
“Como promotora da turnê ‘Loop’ de Ed Sheeran nos Estados Unidos, fomos informados pelos locais que sediarão as próximas datas da turnê de que eles não permitirão a realização dos shows com Macklemore no line-up. Isso resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs. Após discussões com as partes envolvidas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes como atração de apoio.”
O rapper estava escalado para abrir oito dos dez shows que ainda seriam realizados nos Estados Unidos. A retomada da agenda estava prevista para 19 de setembro, na Filadélfia. Entre as cidades cujos locais de apresentação teriam se oposto à participação de Macklemore estão Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa.
Macklemore responde à decisão
Na segunda-feira (14), Macklemore publicou um longo comunicado no Instagram sobre sua saída da turnê. O artista afirmou que não se considera vítima da situação e destacou a diferença entre sua posição e a realidade vivida pelos palestinos.
“Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima”, escreveu Macklemore.
“Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e público no mundo todo. Quaisquer que sejam as consequências que enfrentemos pelo que dizemos, podemos voltar para casa e para nossas famílias. As vítimas são os palestinos.”
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Sheeran diz que decisão foi da promotora
Ed Sheeran afirmou que a retirada de Macklemore foi uma decisão da Messina Touring Group, e não uma determinação pessoal do cantor.
“Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não me importe”, publicou Sheeran.
A declaração ocorreu em meio à repercussão internacional da guerra em Gaza. Em junho, um comitê de investigação contratado pela Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que Israel alvejou crianças deliberadamente na Faixa de Gaza. O relatório classificou as práticas identificadas como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
Segundo o documento, aproximadamente 30% das 73 mil pessoas mortas na guerra em Gaza eram crianças, o equivalente a pouco mais de 20 mil vítimas.
Outros artistas deixam a turnê
A polêmica ganhou novos contornos nesta terça-feira (15), quando Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram que não fariam mais os shows de abertura de Ed Sheeran.
Com as saídas, o cantor britânico perdeu todas as atrações que estavam previstas para acompanhá-lo na série de concertos, cuja agenda se estende até 11 de dezembro.
Finneas, irmão e colaborador musical de Billie Eilish, abriria os shows de Sheeran em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro. A banda Beoga também participaria de apresentações ao lado do cantor, em trechos do repertório influenciados pela música tradicional irlandesa.
Os artistas que anunciaram a saída também manifestaram apoio à causa palestina.
“Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”, escreveu Finneas no Instagram.
https://www.instagram.com/p/DdUdYF1zZ4d/?utm_source=ig_embed&ig_rid=AJhEKTqzVKGPr2SLLzJXB0z
Lukas Graham defendeu a liberdade de expressão sobre conflitos armados e mortes de civis.
“Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira”, afirmou.
Aaron Rowe citou a história da Irlanda ao explicar sua posição.
“Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta”, disse.
A banda Beoga também publicou uma declaração, na qual associou sua atuação à defesa dos direitos palestinos.
“Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser”, publicou o grupo.
Até a publicação desta reportagem, Ed Sheeran não havia comentado a decisão dos demais artistas de deixar a turnê.
