quinta-feira, agosto 20

Fernando Morais levanta suspeitas sobre a possível manobra de Trump contra Lula envolvendo Alex Saab

Durante sua participação no Fórum Onze e Meia, realizada na quinta-feira (20), o jornalista e escritor Fernando Morais expressou sua preocupação com a possibilidade de uma intervenção significativa dos Estados Unidos nas próximas eleições brasileiras. Ele mencionou que essa situação pode ter como protagonista um indivíduo chamado Alex Saab, conforme já havia sido apontado pelo diretor de redação da Fórum, Renato Rovai, em um vídeo divulgado em 31 de julho.

Em sua análise, Morais manifestou convicção de que os EUA irão tentar influenciar o processo eleitoral. “A sorte é que eles têm tido uma sorte ruim. Você se lembra do que ocorreu na Hungria? Trump enviou seu vice-presidente para fazer campanha, mas o candidato deles sofreu uma derrota esmagadora”, comentou.

O autor assinalou que o governo americano já está tomando medidas para influenciar o Brasil. “Recentemente, o secretário de Estado dos EUA publicou um relatório mencionando uma versão atualizada da doutrina Monroe, adaptada aos interesses de Donald Trump, que poderia ser chamada de Doutrina Donroe”, relembrou.

Morais também destacou os riscos associados a essa interferência: “Trump pensou que resolveria a questão com o Irã em poucos dias. Ele chegou a afirmar que terminaria a guerra na Ucrânia no primeiro dia de seu mandato. Quase dois anos se passaram e a guerra ainda persiste. Além disso, ele declarou que eliminaria o Irã em seis dias; já se passaram seis meses e ele não obteve sucesso”, enfatizou.

Ele observou ainda que, para evitar entrar nas próximas eleições intermediárias nos EUA carregando a imagem de um perdedor, Trump poderá buscar vingança contra alguém. “Ele já invadiu a Venezuela e sequestrou tanto o presidente quanto sua esposa sem apresentar acusações formais”, acrescentou.

Questão nebulosa

<pMorais prosseguiu apontando a confusão em torno da situação na Venezuela. “Os EUA detiveram um diplomata venezuelano chamado Alex Saab durante um período crítico do bloqueio imposto ao país”, afirmou.

O jornalista explicou que a Venezuela estava enfrentando dificuldades financeiras para adquirir vacinas e teve que buscar alternativas comerciais com países amigos, realizando trocas como ouro com o Irã em troca de moeda internacional utilizável para comprar medicamentos e vacinas que os EUA estavam impedindo.

Saab foi encarregado por Nicolás Maduro para conduzir essas transações. Em uma dessas missões, seu voo de Teerã rumo a Caracas fez uma parada em Cabo Verde para reabastecimento. “Ao desembarcar em Cabo Verde, ele foi sequestrado pela CIA com a colaboração do governo local”, relatou Morais. “Sem qualquer mandado judicial ou formalidades legais, ele foi levado para uma prisão na Flórida”.

O jornalista revelou que recebeu uma proposta inusitada após esse episódio: “Alguém me procurou sugerindo uma entrevista com Alex Saab na prisão. Os advogados dele conseguiram autorização do juiz”. Morais aceitou o desafio.

“Fui ao consulado americano, renovei meu visto e completei todos os requisitos necessários. Informei que era jornalista e pretendia realizar reportagens junto ao meu parceiro Alcides Moreno”, detalhou.

Contudo, pouco antes da viagem, soube que Maduro havia chegado a um acordo com os EUA: a libertação de Saab em troca da soltura de sete agentes americanos detidos na Venezuela. “Fui avisado de que não precisaria mais ir aos Estados Unidos assim que fosse formalizada a troca. Desmontei toda a operação e recebi meu dinheiro de volta”, explicou Morais.

Surpreendentemente, logo após esses eventos, os EUA realizaram ações contra Maduro e sua esposa.

Importante notar é que antes disso tudo, Alex Saab retornou à Venezuela e foi nomeado ministro da Indústria e Comércio. “Repentinamente, os EUA solicitaram sua extradição após o sequestro de Maduro sob acusações relacionadas ao tráfico de drogas e comércio ilegal de ouro. Ele foi entregue novamente às autoridades americanas”, questionou Morais sobre as circunstâncias obscuras desse caso.

A apuração feita por Morais revelou alegações dos EUA sobre Saab atuar como agente duplo tanto para serviços secretos venezuelanos quanto para a CIA: “Eles queriam recuperá-lo. Não sei até onde essa informação é verdadeira”, ponderou o jornalista.

Possível pivô da tentativa de golpe

Diante dos acontecimentos expostos, Alex Saab pode ser visto como um possível protagonista na tentativa de golpe articulada por Trump no Brasil, pois segundo Rovai, ele estaria envolvido em negociações para fornecer uma delação enganosa contra o presidente Lula.

“Não é casualidade que Lula tenha levantado questões sobre as deficiências nos serviços de defesa das Forças Armadas brasileiras”, acrescentou Morais.

“O plano é claro: utilizar Alex Saab como uma ferramenta para desferir ataques contra Lula e o PT, tentando desestabilizar a imagem do governo às vésperas de uma eleição decisiva”, analisou Rovai.

Assista à íntegra da entrevista com Fernando Morais