O governo francês anunciou um investimento de € 1,5 bilhão para uma das mais significativas atualizações de sua infraestrutura militar nas últimas décadas: a transformação da Base Aérea 116 de Luxeuil-Saint-Sauveur, localizada no leste da França, em um novo centro de operações para a dissuasão nuclear.
Esta iniciativa integra a estratégia delineada pelo presidente Emmanuel Macron, que visa fortalecer as capacidades das Forças Aeroespaciais Francesas em resposta ao agravamento das condições de segurança na Europa e às novas ameaças estratégicas que surgem.
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A base será modernizada para se tornar a primeira na França a operar o novo caça Rafale F5, que virá equipado com o míssil hipersônico ASN4G, substituindo o atual armamento nuclear ASMPA-R.
Esse modelo Rafale F5 será pioneiro ao ser compatível com o futuro míssil ASN4G, que está sendo desenvolvido pela MBDA, uma empresa europeia reconhecida na área de defesa.
O ASN4G (Air-Sol Nucléaire de 4e Génération) é um dos projetos mais importantes da indústria bélica francesa atualmente. Com capacidade para atingir velocidades superiores a Mach 5 e manobrar durante o voo, esse míssil foi projetado para dificultar sua detecção e interceptação por sistemas modernos de defesa antimísseis.
Conforme o cronograma delineado, espera-se que esta nova instalação entre em operação até 2035.
Fundada em 1912, a base teve um papel significativo durante a Guerra Fria ao abrigar unidades responsáveis pela componente aérea da força nuclear francesa. Entretanto, em 2011, perdeu essa função após a retirada dos caças Mirage 2000N.
A partir de agora, o governo francês irá reintegrar a base à Force Aérienne Stratégique (FAS), que se fundamenta na dissuasão através de dois elementos principais: submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos e aviação estratégica.
As fases iniciais do projeto já estão em andamento com contratos voltados à engenharia e adequação da infraestrutura. A reconstrução em larga escala deverá ter início em 2027, englobando reformas nas pistas, modernização dos hangares e criação de novos centros de comando e controle.
Entre os anos de 2029 e 2032, as atividades aéreas serão suspensas para permitir que as obras sejam realizadas. O primeiro esquadrão nuclear deverá estar totalmente operacional até 2033, enquanto um segundo esquadrão deve ser ativado em 2036. Ao final do processo, a base estará preparada para operar cerca de 50 aeronaves Rafale.
A quantidade permanente de pessoal nas forças armadas francesas também será aumentada, passando dos atuais aproximadamente 1.200 para quase 2.000 militares e civis especializados em diversas áreas como manutenção, logística, segurança nuclear e operações estratégicas.
Nos últimos anos, Paris tem intensificado seus investimentos conforme estipulado na Lei de Programação Militar e acelerado as encomendas dos caças Rafale e iniciativas relacionadas à modernização da força nuclear do país.
No lançamento do projeto, Emmanuel Macron enfatizou a importância de aprofundar o debate sobre o papel da dissuasão nuclear francesa na segurança do continente europeu. Atualmente, a França é o único país da União Europeia com armamento nuclear próprio.
