quinta-feira, agosto 6

Índia traça ambicioso plano de R$ 20 trilhões em 20 anos para alcançar status de economia desenvolvida

A Índia tem como objetivo se consolidar como uma nação desenvolvida até o ano de 2047. Essa ambição está contida na estratégia de políticas nacionais intitulada Viksit Bharat 2047, que abrange diversas metas em áreas políticas, econômicas, sociais, tecnológicas e ambientais.

O NITI Aayog, principal órgão responsável pela formulação de políticas públicas no país, lidera essa iniciativa. O projeto ganhou impulso após a Índia ultrapassar o Reino Unido e se tornar a quarta maior economia global, além de ser o país com a população mais numerosa do mundo, com aproximadamente 1,4 bilhão de cidadãos.

O governo indiano agora busca aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) para uma faixa entre US$ 30 trilhões e US$ 40 trilhões até 2047, representando um crescimento significativo em relação à economia atual.

Segundo o planejamento elaborado pelo NITI Aayog, caso esse objetivo seja alcançado, a renda per capita deverá subir dos atuais níveis de um país de renda média para algo entre US$ 15 mil e US$ 18 mil por pessoa, colocando a Índia entre as economias desenvolvidas.

  • Leia também: US$ 200 bilhões até 2030: a Índia tem um plano ambicioso para se tornar uma potência exportadora dentro dos BRICS – Revista Fórum

Estudos do Banco Mundial indicam que, para que esse objetivo se concretize, será necessário que a economia indiana registre um crescimento médio anual de 7,8% ao longo de aproximadamente 22 anos. Esse índice é considerado elevado quando comparado ao crescimento médio de 6,3% observado entre os anos de 2000 e 2024.

Um dos focos centrais da estratégia é transformar a Índia em um polo global de manufatura. Isso inclui aumentar a contribuição da indústria de transformação para o PIB e reforçar iniciativas como o programa Make in India e os incentivos à produção local (PLI – Production Linked Incentive), além de atrair investimentos internacionais e integrar o país às cadeias globais de suprimentos.

A capacitação da força de trabalho jovem em expansão é um componente essencial dessa estratégia.

Outro aspecto fundamental envolve investimentos substanciais em infraestrutura, abrangendo melhorias em rodovias, ferrovias com alta capacidade, aeroportos, portos e logística multimodal. Além disso, há planos para modernizar a geração de energia elétrica e desenvolver cidades inteligentes com conectividade digital avançada.

O governo também pretende utilizar Parcerias Público-Privadas (PPPs) como uma forma de financiar esses projetos, aliviando assim as contas públicas e acelerando sua implementação.

Dentre os diferenciais desta estratégia indiana está o uso da Infraestrutura Pública Digital (Digital Public Infrastructure – DPI).
Atualmente, o país possui uma das maiores infraestruturas digitais do planeta, composta por sistemas como Aadhaar (identidade digital), UPI (pagamentos instantâneos), plataformas digitais para serviços públicos e sistemas integrados de autenticação eletrônica.

No ano de 2026, o NITI Aayog lançou um plano específico denominado DPI@2047 com o intuito de ampliar a aplicação dessas plataformas como ferramentas para promover o crescimento socioeconômico.

A formação do capital humano é considerada uma condição primordial para que a Índia alcance seu status desejado como país desenvolvido. Isso envolve metas como garantir alfabetização universal, melhorar a qualidade da educação básica e superior, fortalecer atividades de pesquisa científica e capacitar profissionais na área tecnológica.

A redução da pobreza é outra prioridade central do plano; isso inclui aprimorar programas sociais voltados para saúde e garantir maior participação democrática entre grupos minoritários.

Os objetivos estão organizados em quatro grupos considerados prioritários pelo governo: jovens (yuva), população em situação de vulnerabilidade (garib), mulheres (mahilayen) e agricultores (annadata).

A transição energética também figura nas pautas do governo indiano, que se comprometeu a atingir emissões líquidas zero até 2070.

A estratégia contempla um aumento na geração de energia solar e eólica, desenvolvimento do hidrogênio verde, eletrificação dos meios de transporte e melhorias na eficiência energética. Os investimentos necessários podem ultrapassar US$ 22 trilhões.

O Banco Mundial ressalta que será imprescindível elevar os investimentos para cerca de 40% do PIB. Além disso, é necessário aumentar significativamente a participação da força de trabalho no mercado econômico, acelerar a produtividade e promover uma integração mais profunda da Índia nas cadeias globais de valor enquanto se busca reduzir as desigualdades entre os diferentes estados do país.