Na última quinta-feira (2), as táticas de intimidação promovidas pelo grupo ligado à família Bolsonaro em relação ao jornalismo investigativo foram denunciadas de forma contundente. Em uma entrevista ao canal ICL, o jornalista Paulo Motoryn, que é editor do The Intercept Brasil, elevou o tom ao revelar o que considera ser o modus operandi desse grupo extremista. Ele fez menções diretas a Flávio Bolsonaro e disparou críticas severas contra Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secom e atual advogado e assessor próximo ao clã, chamando suas ações de “práticas mafiosas” e rotulando-o de “puxa-saco” e “desleal”.
A crise foi desencadeada por uma reportagem coordenada por Motoryn que desmantelou a narrativa de honestidade associada aos Bolsonaro. A investigação revelou que Flávio Bolsonaro recebeu um montante impressionante de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro em uma conta nos Estados Unidos. A justificativa apresentada para essa quantia exorbitante foi considerada risível: ela teria como finalidade financiar Dark Horse, uma cinebiografia elogiosa e cheia de reviravoltas sobre Jair Bolsonaro.
Após a revelação do escândalo financeiro, Wajngarten se posicionou como defensor da família, adotando uma postura agressiva nas redes sociais. Em vez de fornecer esclarecimentos ou documentações legítimas, ele lançou um ataque no X (anteriormente Twitter), tentando intimidar a mídia com a promessa de uma suposta “investigação profunda” contra aqueles que estariam “interceptando” a democracia brasileira, fazendo um trocadilho hostil com o nome do portal.
A reação de Wajngarten funcionou como um sinal para a máquina de difamação da extrema direita. Poucas horas após seu tuíte, a Revista Oeste, alinhada ao bolsonarismo, publicou uma matéria que buscava desviar a atenção dos R$ 61 milhões associados a Flávio Bolsonaro. Essa publicação atacou de forma covarde a vida pessoal de Motoryn, mirando em seu avô octogenário.
Motoryn descreveu as acusações como meramente conspiratórias, alegando que o Intercept havia publicado a denúncia devido a uma suposta rivalidade comercial relacionada a uma licitação para serviços de wi-fi na Prefeitura de São Paulo. Esse contrato, superior a R$ 100 milhões, teria sido conquistado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada à mesma proprietária da produtora de Dark Horse, que não apresentava experiência técnica necessária para tal tarefa.
Reação de Paulo Motoryn
A declaração feita por Motoryn veio à tona após informações indicarem que o grupo do banqueiro Vorcaro estava monitorando a vida pessoal da jornalista Malu Gaspar, do O Globo e da GloboNews, com o intuito de constrangê-la. Demonstrando solidariedade à colega, Motoryn não hesitou em expor os responsáveis pelos ataques à sua própria família:
“Os mesmos métodos criminosos usados por Thiago Miranda e Daniel Vorcaro para invadir vidas pessoais e envolver familiares na tentativa de silenciar jornalistas são executados por Fabio Wajngarten e Flávio Bolsonaro… Após publicarmos nossa primeira reportagem da série em um domingo, Wajngarten twittou anunciando sua intenção de realizar uma ‘investigação profunda’ sobre quem ele considera estar ‘interceptando’ a democracia brasileira… Depois disso, horas depois, a Revista Oeste publicou um ataque desonesto e sem fundamento contra mim e até mesmo contra meu avô de 80 anos… O interesse do Intercept em tornar pública essa denúncia foi falsamente atribuído a questões comerciais relacionadas ao contrato da Prefeitura… Essas ações são semelhantes às práticas utilizadas por Vorcaro e Miranda… E evidenciam que essas estratégias mafiosas não estão restritas apenas aos criminosos corruptos mas também se manifestam na atuação dessa família,” afirmou Motoryn.
Novas ameaças por parte de Wajngarten
Famoso por proteger os interesses da família radicalizada, Fabio Wajngarten respondeu com sua habitual arrogância nas redes sociais, se colocando como vítima das investigações jornalísticas que ele mesmo tentou silenciar. Em sua postagem no X, zombou das alegações feitas contra ele e anunciou sua intenção de processar Motoryn.
https://x.com/fabiowoficial/status/2072700464127230145
“Quando um tweet ou uma matéria causa desconforto… Defendem ampla liberdade de expressão, exceto para aqueles que atuam com seriedade e não toleram mentiras nem perseguições. Certamente receberão os processos adequados, assim como uma reparação pela verdade. Sinto muito que insinuações vazias estejam sendo feitas visando impor uma narrativa falsa sobre quem nada fez,” escreveu o assessor em sua conta.
A intensidade da resposta do clã e seus aliados políticos revela um estado alarmante diante do avanço das investigações. As tentativas desesperadas de silenciar o jornalismo por meio do constrangimento familiar apenas evidenciam a gravidade do escândalo financeiro que eles buscam ocultar.
