sexta-feira, julho 3

Repórter do Intercept, alvo de críticas de bolsonaristas, responde a Wajngarten com contundência

As táticas de intimidação empregadas pelo círculo próximo da família Bolsonaro contra veículos de jornalismo investigativo foram alvo de severas críticas nesta quinta-feira (2). Durante uma entrevista ao canal ICL, o jornalista Paulo Motoryn, que atua como editor no The Intercept Brasil, não hesitou em expor o que considera ser o modus operandi desse grupo extremista. Ele fez menções diretas a Flávio Bolsonaro e disparou críticas contundentes contra Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secom e atual advogado do clã radical, chamando suas ações de “práticas mafiosas” e rotulando-o de “puxa-saco” e “desleal”.

A crise teve início com um trabalho investigativo liderado por Motoryn, que desmantelou a narrativa de honestidade associada aos Bolsonaro. A reportagem revelou que Flávio Bolsonaro recebeu a quantia de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro em uma conta fora do Brasil. A justificativa apresentada para essa quantia exorbitante foi risível: supostamente, os valores seriam destinados ao financiamento de Dark Horse, uma cinebiografia exagerada e laudatória sobre Jair Bolsonaro.

Após a revelação do escândalo financeiro, Wajngarten rapidamente se posicionou como defensor do clã. Em vez de fornecer esclarecimentos ou documentos que comprovassem a legalidade das transações, ele optou por atacar diretamente o veículo responsável pela reportagem através da rede social X (anteriormente conhecida como Twitter). Com uma abordagem intimidatória, ele anunciou uma suposta “investigação profunda” contra aqueles que estariam “interceptando” a democracia brasileira, em um trocadilho agressivo e pueril relacionado ao nome do portal.

A ação de Wajngarten serviu como um sinal para a máquina de difamação da extrema direita. Poucas horas após seu tuíte, a Revista Oeste, conhecida por sua afinidade com o bolsonarismo, publicou uma “reportagem”. Para desviar a atenção dos R$ 61 milhões recebidos por Flávio Bolsonaro, a publicação atacou covardemente a vida pessoal de Motoryn, chegando até a ofender seu avô de 80 anos.

A acusação contra Motoryn foi descrita por ele como totalmente conspiratória. Segundo essa alegação absurda, o Intercept teria publicado a denúncia devido a uma suposta rivalidade comercial relacionada a uma licitação para serviços de wi-fi na Prefeitura de São Paulo. Este contrato, superior a R$ 100 milhões, foi ganho pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG vinculada à mesma proprietária da produtora de Dark Horse, que não possuía quaisquer qualificações técnicas necessárias para executar esse tipo de serviço.

Reação de Paulo Motoryn

A declaração de Motoryn ocorreu após revelações sobre o monitoramento da vida pessoal da jornalista Malu Gaspar, do O Globo e da GloboNews, por parte do grupo ligado ao banqueiro Vorcaro com o intuito de intimidá-la. Ao manifestar apoio à colega, o editor do Intercept não hesitou em apontar os responsáveis pelos ataques à sua própria família:

“Sabe quem faz as mesmas práticas criminosas que o Thiago Miranda e o Daniel Vorcaro, envolvendo familiares para tentar silenciar jornalistas? Fabio Wajngarten e Flávio Bolsonaro… Poucos dias após publicarmos nossa primeira reportagem desta série, num domingo, Wajngarten twittou anunciando que realizaria uma ‘investigação profunda’ para expor os podres daqueles que ele considera estar ‘interceptando’ a democracia brasileira… Mais tarde, horas depois, a Revista Oeste lançou um ataque desleal e completamente infundado não apenas contra mim, mas também contra um parente meu de 80 anos. Essa acusação leviana afirma que nosso interesse em publicar vinha de uma disputa comercial sobre um contrato na Prefeitura… Essa abordagem é idêntica àquela usada pelo Vorcaro e Thiago Miranda… Essas práticas mafiosas não estão limitadas apenas a um banqueiro corrupto e seus capangas; elas permeiam também as ações dessa família e seu representante Flávio Bolsonaro”, declarou Motoryn.

Novas ameaças por parte de Wajngarten

Conhecido por proteger os interesses da família radicalizada, Fabio Wajngarten reagiu com sua habitual arrogância digital, apresentando-se como vítima do jornalismo que ele próprio tentou intimidar. Em sua publicação no X, zombou das alegações feitas contra ele e anunciou sua intenção de processar o jornalista do Intercept.

https://x.com/fabiowoficial/status/2072700464127230145

“Quando um Tweet e uma matéria causam desconforto… Pregam liberdade total de expressão menos para aqueles que atuam com seriedade contra mentiras e perseguições. Certamente receberão os processos adequados assim como teremos oportunidade para reconstruir a verdade. Lamento profundamente que insinuações vazias sejam feitas visando impor narrativas falsas sobre quem não fez absolutamente NADA”, escreveu o assessor na plataforma social.

A resposta agressiva do clã e seus representantes políticos evidencia um estado de pânico frente à evolução das investigações. A tentativa de silenciar jornalistas através do constrangimento familiar apenas reforça a gravidade do escândalo financeiro que eles buscam esconder a todo custo.