terça-feira, julho 21

VÍDEO: Microfone é retirado de vereadora durante menção a gravação de Flávio Bolsonaro

Uma cena de agressão, típica do estilo bolsonarista, levou à interrupção da sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (13).

O vereador Mauro Pinheiro, do PP e defensor do ex-presidente condenado, arrancou o microfone que estava sendo utilizado pela vereadora Juliana dos Anjos de Souza, do PT.

Esse ato de violência ocorreu enquanto a parlamentar mencionava um áudio comprometedores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em que ele solicitava dinheiro a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

“Acabou de vazar um áudio do seu presidente pedindo dinheiro para o Vorcaro”, declarou Juliana antes de ser interrompida pela reação agressiva de Pinheiro.

Juliana classificou o incidente como “violência política de gênero” e um “ataque à democracia”. Ela enfatizou que irá apresentar uma representação formal contra Pinheiro na Comissão de Ética da Casa por quebra de decoro.

Mauro Pinheiro se apresenta nas redes sociais como um lutador contra “a esquerda e o comunismo”, frequentemente participando de manifestações em defesa da anistia aos golpistas do dia 8 de janeiro e criticando o Supremo Tribunal Federal (STF), consolidando sua imagem junto aos membros da extrema direita.

Posição de Juliana dos Anjos de Souza

“O que ocorreu foi mais um episódio de violência política de gênero que enfrentei durante o processo de votação do Plano Diretor, mas em uma intensidade muito maior. Além da violência relacionada ao gênero, silenciar uma parlamentar no exercício de suas prerrogativas é um ataque à liberdade de expressão, ao parlamento e à própria democracia.

A nossa bancada vê a atitude do vereador Mauro (PP) como uma manifestação da política de ódio promovida pela extrema direita no Brasil. Vamos representar contra ele na comissão de ética e tomarei todas as providências necessárias para que esse episódio não fique impune e para que a violência política de gênero não seja normalizada.”

Declarações do presidente da Câmara

Diante da confusão, Moisés Barbosa (PSDB), presidente da Câmara, optou por suspender a sessão por dois minutos. Em comunicado oficial, ele anunciou que a vereadora apresentará uma denúncia contra Mauro Pinheiro na Comissão de Ética e que as medidas adequadas serão tomadas pelo Legislativo.

“Em relação ao fato ocorrido, a Câmara Municipal de Porto Alegre informa que a vereadora Juliana dos Anjos comunicou durante a sessão plenária sua intenção de formalizar uma denúncia contra o vereador Mauro Pinheiro na Comissão de Ética do Parlamento.

As ações necessárias serão realizadas conforme estipulado pelo Regimento Interno, cabendo à Comissão examinar e julgar os acontecimentos”.

Defesa de Mauro Pinheiro

“O incidente ocorrido não teve nenhuma ligação com o fato da vereadora ser mulher ou com qualquer intento de desmerecer seu trabalho ou mandato. O contexto estava diretamente associado à condução dos trabalhos legislativos e à manutenção da ordem regimental durante uma manifestação que se desviava do tema em discussão naquele momento.

Nunca houve um ataque pessoal ou comportamento motivado por questões relacionadas ao gênero. O caso foi exclusivamente regimental (art. 192/RI CMPA) e pertinente à ordem das atividades legislativas em um ambiente político naturalmente repleto de divergências. Portanto, não devemos permitir distorções narrativas ou tentativas de transformar um evento regimental em uma acusação sem os elementos que realmente caracterizam a violência política de gênero.

Durante minha carreira pública, com cinco mandatos como vereador e duas passagens pela presidência da Câmara Municipal, sempre atuei pautado pelo diálogo democrático e pelo respeito institucional entre todos os parlamentares, independente de gênero ou ideologia partidária.

Reitero meu total respeito às mulheres na política e reconheço a importância da sua participação nos espaços decisórios e representativos. A violência política baseada em gênero é um assunto sério que deve ser tratado com responsabilidade sempre que for efetivamente identificada.

Continuarei atuando com transparência, respeito ao eleitorado e compromisso com a verdade no exercício do meu mandato.”