quarta-feira, junho 3

Combustível de aviação na Europa tem validade de seis semanas, revela presidente da AIE

Nesta sexta-feira (16), a Agência Internacional de Energia (AIE), que atua sob a égide da OCDE para garantir a segurança no setor energético, emitiu um alerta sobre o abastecimento de petróleo na Europa. O diretor da instituição, Fatih Birol, afirmou que o continente pode ficar sem combustível de aviação nas próximas semanas.

A situação crítica se origina da crise no fornecimento de petróleo provocada pelo conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte dessa commodity desde o início de março.

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Desde então, os preços do petróleo bruto com referência internacional já subiram mais de 20% ao longo do ano. Além disso, as exportações internacionais de petróleo caíram em cerca de 75%, afetando principalmente os maiores consumidores da commodity árabe: Europa e Ásia.

<pConforme Birol, com os estoques atuais disponíveis para aviação, a Europa pode manter seu setor aéreo abastecido por aproximadamente seis semanas. Caso não haja uma normalização rápida no fornecimento global proveniente do Golfo Pérsico, as consequências econômicas podem ser mais drásticas do que se imagina.

A Europa é altamente dependente das importações, consumindo cerca de 90% do petróleo necessário para suas operações, conforme dados da AIE. A invasão russa à Ucrânia levou a União Europeia a sancionar as importações russas, que eram seu principal fornecedor, aumentando assim sua vulnerabilidade a choques externos relacionados às commodities energéticas.

O querosene de aviação representa até 12% dos derivados de petróleo na Europa e registrou um aumento significativo em 2024 devido ao retorno dos níveis de tráfego aéreo aos padrões anteriores à pandemia de Covid-19.

A demanda atual gira em torno de quase 1,5 milhão de barris diários, volume que depende fortemente das importações de petróleo bruto do Oriente Médio e das cadeias produtivas associadas.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) produz cerca de 40% do total global da commodity, sendo uma parte significativa destinada à Europa. A maioria das exportações dos membros da Opep (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque) passa pelo Estreito de Ormuz.

Os efeitos dessa crise vão além do setor aéreo; espera-se também um aumento nos preços da eletricidade e do gás natural. Isso ocorre porque o valor do petróleo influencia indiretamente os mercados energéticos europeus, que já estão sob pressão.

A AIE alerta que a recuperação da produção energética na região do Golfo Pérsico pode levar até dois anos e está sujeita a novos choques prolongados devido à instabilidade nos fluxos globais de petróleo.

As repercussões podem ser mais severas em economias em desenvolvimento na Ásia e na África, além de alguns países latino-americanos que são altamente dependentes das importações, segundo Birol.

No entanto, o impacto imediato será sentido principalmente na Europa. O aviso emitido pelo chefe da AIE parece ser um chamado à administração de Donald Trump, que anunciou um novo bloqueio no Estreito em 12 de abril.

Estudos setoriais indicam que a inflação gerada pela interrupção das atividades no canal árabe teve efeitos inflacionários semelhantes aos provocados pela pandemia de Covid-19, impactando calendários agrícolas e outras cadeias produtivas vinculadas aos combustíveis fósseis.

No momento, os aeroportos europeus estão operando com “reservas” limitadas de combustível e a União Europeia se prepara para enfrentar uma possível crise no abastecimento.