terça-feira, julho 21

Alcolumbre articula com Flávio Bolsonaro, que promove sua candidatura entre os colegas no plenário

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com um sorriso no rosto, não esconde sua colaboração com Davi Alcolumbre (União-AP). Durante a sessão conjunta do Congresso que discute o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, realizada nesta quinta-feira (30), Alcolumbre anunciou uma nova estratégia.

A preocupação de que a revogação do veto poderia facilitar a liberação de integrantes de organizações criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, além de potencialmente “anistiar” Jair Bolsonaro, levou Alcolumbre a adotar uma manobra inusitada. Ele decidiu retirar da votação o trecho do PL que foi integralmente vetado por Lula.

Alcolumbre explicou: “Devido ao prejulgamento da matéria pela aprovação do PL Antifacção e sua conversão na Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, esta Presidência declara a prejudicialidade dos vetos aos incisos 4 a 10 do art. 112 da Lei de Execução Penal, alterados pelo art. 1º do PL da Dosimetria. Assim, os mencionados dispositivos estão excluídos da votação do Veto 3, de 2026.”

Com essa manobra, na prática, o PL original é desvirtuado, o que exigiria um novo processo legislativo para toda a proposta.

No plenário, Fernanda Melchionna fez críticas à estratégia adotada e ressaltou que, independentemente das manobras realizadas, a derrubada do veto beneficiaria sequestradores e traficantes associados a facções criminosas.

“Essa repetição enfadonha que vocês estão fazendo para tentar se livrar das responsabilidades não se sustenta. Não se sustenta, presidente Alcolumbre, pois vocês mudam o artigo 112 da lei 7210, que altera as regras de progressão penal. Vocês vão libertar Fernandinho Beira-Mar para proteger Bolsonaro? Essa votação absurda não existe em nenhum outro lugar no Congresso Nacional e não resolverá a tentativa de dar abrigo a outros criminosos,” criticou a deputada.

Palanque

Na mesma sessão, Flávio Bolsonaro foi visto posando para fotos junto à mesa diretora e interagindo com aliados. Alcolumbre lhe concedeu dois períodos de um minuto para responder às críticas feitas pelos opositores.

A primeira crítica veio da fala de Fernanda Melchionna, que acusou Flávio de ter empregado o líder de uma organização criminosa responsável por assassinatos no Rio de Janeiro.

Em resposta, Flávio olhou para as câmeras e pediu apoio durante a sessão plenária, sendo elogiado por seus apoiadores. Ele ainda teve oportunidade para responder também a Talíria Petrone (PSOL-RJ), que não mencionou seu nome em sua apresentação.