A crise global de energia, que resultou em um aumento sem precedentes nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, vem alterando os padrões de consumo e promovendo novas abordagens para o abastecimento desde que Donald Trump declarou conflito com o Irã.
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No início de maio, os contratos de gasolina no porto de Nova York alcançaram a marca de US$ 3,75 por galão, um valor que não era visto há quatro anos. Desde o começo da guerra, os preços do combustível subiram aproximadamente 50%.
Além disso, os estoques de gasolina têm apresentado uma queda contínua por 11 semanas seguidas, atingindo níveis alarmantes às vésperas do verão, época em que o consumo costuma ser mais alto nos EUA.
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Essas condições estão levando a mudanças de comportamento entre os cidadãos americanos: muitos estão diminuindo o uso de veículos movidos a gasolina, optando por transporte público e escolhendo carros menores para trajetos curtos. O custo para abastecer SUVs, que são muito populares no país, já chega a quase US$ 95 por tanque em algumas regiões.
<pUma pesquisa realizada pela GasBuddy revelou que 67,4% dos americanos afirmam que os preços elevados da gasolina estão interferindo em seus planos de viagem para o verão de 2026. O número de pessoas que pretende fazer viagens longas caiu consideravelmente em comparação ao ano passado.
Outra investigação feita por ABC News, Washington Post e Ipsos revelou que 44% dos participantes afirmaram ter reduzido o uso dos automóveis e 42% cortaram outras despesas domésticas para lidar com o aumento nos custos dos combustíveis. Além disso, 15% consideram adquirir veículos elétricos.
Pesquisadores da Brown University estimam que os consumidores americanos enfrentaram custos adicionais superiores a US$ 40 bilhões desde o início do conflito com o Irã. Isso representa um impacto médio de cerca de US$ 300 por família.
Os estudiosos caracterizam essa elevação nos preços dos combustíveis como um “imposto invisível” sobre as famílias norte-americanas.
De acordo com informações da Reuters, houve um aumento na demanda por ônibus e trens urbanos em diversas cidades americanas, especialmente entre os trabalhadores.
Na Europa e em partes da Ásia, a alta no preço do petróleo já está impulsionando significativamente as vendas de veículos elétricos em 2026; abril registrou um crescimento de 34% nas vendas desses veículos na Europa.
No entanto, nos Estados Unidos as cifras permanecem discretas. O país é líder mundial na produção de petróleo e tem uma forte dependência do transporte individual.
Donald Trump tem promovido políticas contrárias à transição energética que impactam os subsídios federais destinados a iniciativas sustentáveis e resultaram no término dos incentivos para veículos elétricos, segmento onde a China se destaca como principal fornecedora global.
A partir de setembro de 2025, com a decisão de eliminar subsídios aos carros elétricos, os Estados Unidos começaram a enfrentar custos mais elevados para esses veículos.
A escalada nos preços internacionais da energia também afeta o sistema logístico americano, onde o diesel é amplamente utilizado no transporte rodoviário de mercadorias, elevando assim os custos relacionados a alimentos e produtos industrializados.
A pressão inflacionária gerada pelos combustíveis permeia toda a economia e impacta até mesmo as férias escolares programadas para este ano, quando se estima que pelo menos 45 milhões de americanos viajarão.
Caso haja uma reabertura do estreito marítimo nas próximas semanas, os preços ainda poderão levar mais de um ano para voltar aos patamares anteriores ao conflito, conforme análises da GasBuddy.
A matriz energética americana continua predominantemente baseada em combustíveis fósseis. Aproximadamente 58% da eletricidade gerada no país provém de fontes não renováveis; dentro desse total, o gás natural representa a maior parte, com cerca de 41%.
