A geração Z, que inclui indivíduos nascidos entre 1997 e 2012, considera que possuir uma casa própria e alcançar estabilidade profissional são os principais indicadores de sucesso na vida. Embora o desejo de se casar e ter filhos ainda esteja presente para alguns jovens, essas metas estão em posições inferiores nas suas prioridades. Essa informação é revelada pela pesquisa Life Aspirations 2026, conduzida pela Ipsos com a participação de mais de 22 mil pessoas em 30 países ao redor do mundo.
Os resultados da pesquisa indicam que a noção de sucesso continua atrelada a marcos tradicionais da vida adulta, mas a ordem dessas prioridades tem mudado. Em um contexto de custos elevados de vida, dificuldades para acessar moradias e incertezas econômicas, o foco na independência financeira tornou-se mais relevante.
No Brasil, essa tendência é bastante evidente. A pesquisa revelou que 67% dos adultos veem a aquisição de uma casa como um sinal de sucesso, superando em nove pontos percentuais a média global, que é de 58%.
A relevância da moradia também é destacada quando os entrevistados são questionados sobre como se sentiriam caso nunca conseguissem alcançar esse objetivo. No Brasil, 58% afirmam que ficariam muito ou um pouco tristes se não conseguissem comprar uma casa, enquanto a média global é de apenas 40%.
Estabilidade profissional entre as prioridades
A continuidade da estabilidade profissional aparece logo após o desejo de ter uma casa própria. Para 66% dos brasileiros entrevistados, um emprego estável é considerado um sinal importante de realização pessoal, valor semelhante à média global de 65%.
Por outro lado, os marcos familiares tradicionais ocupam posições inferiores nas preferências. Apenas 23% dos brasileiros associam ter filhos como um sinal de sucesso na vida, e 25% mencionam o casamento. Globalmente, essas porcentagens são respectivamente 31% e 25%.
Esses dados sugerem que a ideia de formar uma família ainda está viva no imaginário coletivo como um símbolo de realização pessoal, mas perdeu parte do espaço que antes ocupava em relação à segurança econômica entre os entrevistados.
Animais de estimação ganham destaque entre os jovens
Outro aspecto interessante da pesquisa é a importância atribuída aos animais de estimação, especialmente entre os jovens brasileiros.
No Brasil, 21% dos adultos consideram a adoção de um pet como um marco significativo na vida adulta, superando a média global de 16%.
Particularmente entre os membros da geração Z brasileira, a posse de um animal de estimação é vista como mais importante do que ter filhos: 24% consideram isso um sinal de sucesso comparado a 19% que mencionam ter filhos.
Entre os millennials (nascidos entre 1981 e 1996), essa diferença se acentua ainda mais: 29% mencionam adotar um animal como um indicador positivo em suas vidas adultas enquanto apenas 18% citam a parentalidade.
Expectativas da geração Z para o futuro
A pesquisa também avaliou como os indivíduos se sentiriam caso não conseguissem atingir certas metas ao longo da vida. Nesse ponto, a geração Z destaca-se por relatar maior tristeza ao considerar a possibilidade de não alcançar esses marcos importantes.
Entre os jovens brasileiros dessa geração, 54% afirmam que ficariam tristes se não conseguissem adquirir uma casa própria; esse percentual sobe para 56% no caso do emprego estável — dez pontos acima da média nacional.
Lucymara Andrade, diretora de pesquisas da Ipsos, observa que esses resultados não necessariamente indicam que os jovens abandonaram modelos clássicos de sucesso.
“O que percebemos é justamente o oposto: a busca pela casa própria, pela estabilidade profissional e pela formação familiar continuam sendo referências essenciais para o sucesso. A diferença está no fato de as novas gerações perceberem esses objetivos como mais desafiadores”, ressalta Andrade.
A pesquisadora explica ainda que a disparidade entre as aspirações dos jovens e o que acreditam ser viável pode elucidá-los sobre a frustração relacionada a esses marcos. “Quando as expectativas diminuem enquanto as aspirações permanecem elevadas, aumenta também o risco da frustração”, conclui.
Divergências entre homens e mulheres
A pesquisa também revelou diferenças significativas nas percepções sobre sucesso entre homens e mulheres.
Ainda que ambos os grupos apresentem ordens semelhantes em relação aos marcos analisados, os homens tendem a valorizar mais o casamento e paternidade como sinais significativos de realização pessoal.
No âmbito global, essa discrepância chega a sete pontos percentuais no caso do casamento e cinco pontos para paternidade. No Brasil, essas diferenças são ainda mais acentuadas: oito pontos para casamentos e sete pontos para quem deseja ser pai — com maior valorização por parte dos homens.
Pesquisa envolvendo mais de 22 mil pessoas
A pesquisa foi realizada entre os dias 20 de fevereiro e 6 de março de 2026 por meio da plataforma online Global Advisor. Um total de 22.693 adultos foram entrevistados em diferentes países; aproximadamente mil participantes eram brasileiros.
A amostra foi ponderada para refletir o perfil demográfico da população adulta em cada país com base nos dados do censo mais recente disponível.
Conforme informações fornecidas pela Ipsos, uma pesquisa online com mil participantes apresenta uma margem de erro estimada em cerca de 3,5 pontos percentuais.
