terça-feira, julho 21

Alternativas energéticas: como as grandes nações enfrentam a crise do petróleo além do sol e do vento

A geração de eletricidade a partir do carvão permanece como uma das principais responsáveis pelas emissões globais de dióxido de carbono (CO₂), especialmente nos setores elétrico e industrial, conforme indicado pela Agência Internacional de Energia (IEA). Este combustível fósseis representa aproximadamente 40% das emissões relacionadas à energia em todo o mundo.

Histórico motor da Revolução Industrial, o carvão ainda é considerado o mineral fóssil mais abundante, com um consumo anual per capita de 1.132.737 pés cúbicos, segundo dados do Worldometer. Além disso, ele responde por cerca de um terço da produção mundial de energia, sendo amplamente utilizado nas indústrias do ferro e do aço.

Em 2025, a construção de usinas movidas a carvão aumentou novamente, seguindo um recorde estabelecido em 2024. A IEA registrou um crescimento no consumo deste combustível: 11% na Indonésia, 8% na Índia e 5% na China durante 2023.

A demanda global por carvão alcançou um patamar histórico de 8,79 bilhões de toneladas em 2024 e se manteve estável em 2025, mesmo com o avanço das energias renováveis em países industrializados como Brasil, China e Índia.

Nesta semana, a administração do ex-presidente Donald Trump nos Estados Unidos anunciou uma política que reverte agressivamente subsídios destinados a fontes renováveis de energia. Os créditos fiscais que incentivavam indústrias a utilizarem energia limpa estão sendo descontinuados.

O governo dos EUA pretende compensar empresas para que deixem de lado as energias solar e eólica em favor de fontes fósseis, principalmente petróleo e gás natural.

A Índia, que ocupa atualmente a quarta posição entre as maiores economias do planeta, continua a priorizar o uso do carvão local como fonte energética para estabilizar seu sistema elétrico nacional.

Recentemente, o governo indiano ordenou que usinas que operam com carvão importado funcionassem na capacidade máxima e autorizou a reativação de usinas a gás que estavam inativas, conforme reportado pelo portal Oilprice.

Essas decisões ocorrem em meio a uma onda de calor intensa no país, com temperaturas ultrapassando os 45 °C em várias regiões.

Projeções para 2026 indicam que a demanda por eletricidade na Índia poderá atingir níveis históricos devido ao crescimento dos setores tecnológicos relacionados ao processamento de dados e ao aumento no uso de aparelhos de refrigeração, alcançando 270,7 gigawatts (GW) de potência.

No cenário atual, mais de 70% da eletricidade gerada na Índia ainda provém do carvão. Especialistas apontam que isso é resultado de um descompasso no desenvolvimento: o crescimento da demanda elétrica interna supera a transição energética e a capacidade disponível das fontes renováveis.

A Coreia do Sul também tomou medidas para aumentar sua dependência da geração elétrica baseada em carvão na tentativa de reduzir as importações de gás natural liquefeito devido ao aumento dos preços internacionais.

O país suspendeu regulamentações que limitavam as usinas a carvão a operar apenas até 80% da capacidade durante a primavera e elevou a operação dos reatores nucleares para cerca de 80% da capacidade total.

Na Europa, mesmo com sua fama como líder em transição energética, a Alemanha começou a reconsiderar o fechamento acelerado das usinas térmicas. O chanceler Friedrich Merz afirmou que o país deve adiar o abandono completo do carvão para evitar impactos negativos na competitividade industrial.

A “Lei de Saída do Carvão”, aprovada em 2020, previa o encerramento total das usinas até 2038; contudo, agora parte da indústria está pressionando por uma flexibilização temporária dessas normas visando evitar instabilidades elétricas e novos aumentos nos preços.

Similarmente à situação alemã, na Itália o Parlamento aprovou um adiamento no cronograma para eliminar gradualmente o carvão até 2038. Essa decisão foi justificada pelas tensões geopolíticas internacionais e pela volatilidade dos preços do petróleo e gás.

Curiosamente, essa volta ao uso intensivo do carvão acontece apenas um ano após os países do G7 — composto por Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão — terem firmado um pacto histórico para eliminar gradualmente sua utilização entre 2030 e 2035.

Apesar desse retorno temporário ao carvão, especialistas acreditam que as energias renováveis continuarão sendo favorecidas no longo prazo devido à rápida queda nos custos associados à geração dessas fontes energéticas quando comparadas às opções baseadas no carvão.

No ano passado (2025), as energias renováveis foram responsáveis por atender praticamente toda a elevação global no consumo elétrico.

A IEA observa que mesmo com um consumo elevado em algumas áreas específicas, a participação do carvão na matriz elétrica global segue uma tendência declinante. A previsão é que essa fatia caia de 35% em 2024 para cerca de 27% até 2030.