quinta-feira, junho 25

Constantino propõe que Flávio Bolsonaro desista de sua candidatura

Na noite da quarta-feira (25), um vídeo divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não apenas abalou a pré-candidatura de seu enteado, Flávio, à Presidência, mas também intensificou a crise interna no bolsonarismo.

É importante ressaltar que as revelações sobre a relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, que é proprietário do Banco Master e se encontra preso por ser o líder de uma das maiores fraudes bancárias já registradas no Brasil, já tinham provocado danos significativos ao movimento bolsonarista, que apoia a candidatura de Flávio.

Com o recente vídeo, onde Michelle expõe que foi alvo de ataques e desqualificações por parte de Flávio Bolsonaro, a situação dentro do bolsonarismo se agravou. Influenciadores começaram a afirmar abertamente que a candidatura dele está comprometida e que não tem chances de vencer Lula nas eleições.

Rodrigo Constantino, um conhecido comunicador do bolsonarismo, usou suas redes sociais nesta quinta-feira (25) para declarar que Flávio é o único pré-candidato à presidência que não tem potencial para derrotar Lula, que busca reeleição. Com isso, Constantino sugere que o movimento deveria considerar outro nome para concorrer ao cargo.

“Chega de repetir essa ideia de que Flávio seria o único capaz de vencer Lula. Está evidente que ele é, possivelmente, o único que NÃO pode derrotá-lo em um segundo turno. O PT deve estar adorando essa situação e provavelmente guardando sua munição mais forte…”, afirmou Constantino.

VÍDEO: Michelle critica publicamente Flávio Bolsonaro

Uma intensa crise tomou conta dos bastidores do Partido Liberal e revelou as fissuras existentes na liderança do bolsonarismo. Em um vídeo impactante postado nas redes sociais na quarta-feira (24), Michelle Bolsonaro, atual presidente nacional do PL Mulher e ex-primeira-dama, elevou o tom ao criticar publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência, acusando-o de falta de respeito e humilhação.

A origem desse desentendimento público está relacionada às complicadas articulações políticas para as eleições estaduais no Ceará. No entanto, o desabafo da ex-primeira-dama expôs um ambiente de violência política interna e machismo institucionalizado por parte do filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Ele retornou a ligação. Mas honestamente, seria melhor se não tivesse ligado. A conversa foi ríspida e me tratou mal ao telefone. Eu não tinha feito nada contra ele”, desabafou Michelle na gravação.

Michelle relatou que o senador tentou impor ordens para que ela se afastasse das decisões principais da legenda, utilizando um tom agressivo e condescendente. “Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido porque cheguei ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem”, contou a ex-primeira-dama, evidenciando o racha tanto familiar quanto partidário.

A origem da discórdia: O palanque cearense

A disputa gira em torno da formação do palanque do PL no Ceará. Michelle se posicionou firmemente contra as articulações lideradas por figuras influentes locais do PL — com apoio do deputado André Fernandes e aliados próximos a Jair Bolsonaro — para estabelecer uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) já no primeiro turno da corrida pelo governo estadual.

Para ela, a direita deve apoiar desde o início a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE). Em sua visão, unir-se a Ciro Gomes seria uma traição aos princípios políticos, relembrando os ataques históricos do pedetista/tucano contra Jair Bolsonaro e destacando como Ciro contribuiu para tornar inelegível o ex-presidente. Na semana passada, Michelle já havia agitado os ânimos ao afirmar que a direita não deveria fazer “aliança com o mal”, delineando uma linha vermelha clara contra aqueles que buscam pragmatismo para enfrentar o PT. Ela acredita que um apoio a Ciro só deveria ser considerado em uma eventual disputa no segundo turno.

Reação coordenada dos “irmãos”

A retaliação da família Bolsonaro à insubordinação de Michelle foi rápida; contudo, segundo ela, exibiu uma estratégia conhecida nos bastidores. No vídeo divulgado, Michelle acusou os filhos do ex-presidente de atuarem em conjunto para tentar desacreditá-la perante os apoiadores.

“Os irmãos se uniram em uma ação coordenada com mensagens muito semelhantes entre si. Parecia uma combinação premeditada”, denunciou.

Currículo como defesa

No momento em que rebateu as acusações de Flávio sobre sua suposta falta de conhecimento político e comentários sobre seu tempo no partido, Michelle utilizou os resultados expressivos alcançados durante sua gestão à frente do PL Mulher como defesa e prova de sua liderança. Como presidente nacional desse braço feminino da legenda, ela ressaltou ter percorrido todo o Brasil montando diretorias nos 27 estados e no Distrito Federal além de ter contribuído para eleger 1.005 mulheres em 2024. Diante disso, lamenta que alguns ainda insistam em tratá-la como alguém sem experiência política.

A ex-primeira-dama também negou veementemente os rumores nos bastidores sobre pressões por candidaturas ou exigências por desculpas. Segundo ela, a discórdia com Flávio teve início antes mesmo de qualquer discussão sobre cargos ou projetos eleitorais e está intimamente ligada à “respeito e consideração”.

O confronto direto entre a principal liderança feminina da sigla e o pré-candidato à Presidência revela uma batalha pelo controle narrativo e pelos espaços políticos dentro da oposição até as convenções partidárias finais.

Assista ao vídeo:

https://x.com/ErikakHilton/status/2069900552851390665