O governo federal optou por postergar a retirada do subsídio sobre a gasolina, que estava programada para esta semana, devido à piora do quadro geopolítico no Oriente Médio.
O anúncio foi feito pelo ministro Dario Durigan nesta quinta-feira (9), logo após os Estados Unidos realizarem ataques a mais de 90 alvos militares no Irã, quebrando um frágil cessar-fogo entre as nações e fazendo o preço do barril de petróleo voltar a ultrapassar os US$ 80.
Diante dessa alteração inesperada nos custos dos combustíveis, a administração federal decidiu ser cautelosa e adiou a decisão sobre o fim da subvenção para a próxima semana.
A reavaliação da política de subsídios foi transferida para o próximo período em razão da elevação repentina das tensões no Oriente Médio e da consequente alta nos preços globais do petróleo.
“Com o petróleo valorizado novamente em US$ 80, precisamos ser cuidadosos em relação à retirada do subsídio. Eu tinha intenção de anunciar essa mudança esta semana, mas irei reavaliar na próxima, uma vez que os impactos nos preços da gasolina estão se mostrando diferentes do que esperávamos”, declarou Durigan durante uma entrevista à Rádio Gaúcha.
Além desse adiamento, membros da equipe econômica confirmaram que o imposto de exportação sobre o petróleo, atualmente fixado em 12%, permanecerá inalterado. Essa combinação de ações indica que o governo não pretende repassar aos consumidores os custos derivados de uma crise com origem fora do Brasil neste momento.
A escalada do conflito no Oriente Médio
A decisão governamental foi precipitada pela intensificação das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã. Na quarta-feira (8), forças americanas bombardearam mais de 90 alvos militares no Irã, encerrando o cessar-fogo previamente acordado entre os dois países.
Os EUA justificaram suas ações como resposta a ataques iranianos contra três navios comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz na terça-feira (7).
O Estreito de Ormuz é crucial para o comércio global de energia, sendo responsável por cerca de um quinto do petróleo consumido mundialmente. A possibilidade de um novo bloqueio nessa rota influencia rapidamente os preços internacionais. Na abertura dos mercados nesta quinta-feira (9), já se observava uma alta de 2% no valor do barril, resultado direto do aumento das tensões.
No Brasil, onde parte do combustível consumido é importada, a flutuação nos preços internacionais do petróleo impacta diretamente o custo da gasolina nas bombas. Isso torna arriscada qualquer movimentação para retirar subsídios neste instante, tanto do ponto de vista político quanto econômico.
Histórico dos subsídios e impactos econômicos
A escolha de atrasar o fim do subsídio não é um ato isolado; ela faz parte de uma série de intervenções que o governo federal tem realizado no mercado de combustíveis ao longo deste ano.
Em março, face ao aumento dos preços gerados pela guerra no Irã e à ameaça de paralisação dos caminhoneiros, foi anunciado um pacote de subvenções ao diesel que incluía a eliminação do PIS/Cofins e um subsídio de R$ 0,32 por litro destinado a produtores e importadores. Em maio, outra subvenção foi revelada para a gasolina: R$ 0,89 por litro, financiada com recursos federais.
Previamente, o governo havia reduzido parte do subsídio ao diesel em R$ 0,35 por litro e também encerrou a isenção do ICMS sobre esse combustível acordada com os estados.
Com o cessar-fogo entre EUA e Irã ainda vigente, Durigan havia indicado que iniciaria a retirada do subsídio da gasolina. Contudo, os novos ataques ocorridos uma semana depois mudaram esse cenário.
O próprio ministro reconheceu as dinâmicas que guiam essas decisões: “Embora tenhamos agido prontamente para implementar medidas necessárias, também devemos estar prontos para reverter quando necessário”, afirmou Durigan nesta quinta-feira (9).
A declaração reflete a postura governamental: tratar os subsídios como ferramentas reativas às crises externas, podendo ser ativadas ou descontinuadas conforme as circunstâncias internacionais mudam. O desafio permanece enquanto houver instabilidade no Oriente Médio; assim, o cronograma para retirada dos subsídios continuará sujeito a ajustes constantes.
