sábado, julho 11

Falece Benedito Ruy Barbosa, renomado criador de obras como “Pantanal” e “O Rei do Gado

Faleceu nesta terça-feira (7), em São Paulo, o renomado dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, que aos 95 anos deixa um legado imenso na teledramaturgia brasileira. O Hospital do Coração (HCor), onde estava internado, informou que sua morte foi resultado de complicações relacionadas à insuficiência renal crônica.

O velório do autor ocorrerá hoje, das 15h às 21h, no Funeral Home localizado no bairro Bela Vista, na região central de São Paulo.

Em janeiro deste ano, Benedito ficou internado por 19 dias no HCor devido a uma infecção urinária ligada ao seu quadro de insuficiência renal crônica.

Conhecido por suas grandes sagas familiares ambientadas em áreas rurais, Benedito construiu uma carreira sólida e influente na televisão brasileira. Suas obras frequentemente retratam a cultura nacional, com foco especial na imigração italiana, além de explorar histórias de amor e conflitos intergeracionais.

Dentre suas mais notáveis produções estão Meu Pedacinho de Chão (1971), Pantanal (1990), O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999), Renascer (1993) e Velho Chico (2016).

No decorrer de sua trajetória, o autor caracterizava seus protagonistas como indivíduos dotados de “bom caráter, determinação para lutar e crença em valores positivos”, traços que se tornaram marcas registradas de suas narrativas.

Caminho da infância até a televisão

Benedito Ruy Barbosa nasceu em 1931 na cidade de Gália, interior paulista, sendo o primogênito de cinco irmãos. Sua infância foi vivida em Vera Cruz, uma região marcada pela agricultura cafeeira e pela significativa presença de imigrantes italianos e japoneses, referências que se tornariam fundamentais em suas novelas.

<pApós a perda precoce do pai, Benedito começou a trabalhar jovem para ajudar a sustentar sua família. Passou por diversas funções, incluindo auxiliar de escritório, vendedor de hortaliças e faxineiro, até conseguir um emprego como revisor no jornal O Estado de S. Paulo.

Nesse período inicial da carreira literária, ele publicou seu primeiro romance intitulado Fogo Frio, que foi adaptado para o teatro e recebeu um prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), marcando o início de sua trajetória como roteirista.

Uma carreira repleta de conquistas

Sua estreia na televisão aconteceu em 1966 com a novela Somos Todos Irmãos, exibida pela TV Tupi. Em seguida, trabalhou em emissoras como TV Excelsior, Record e TV Cultura.

No ano de 1971, lançou Meu Pedacinho de Chão, que foi veiculada simultaneamente pela TV Cultura e pela Globo. Anos depois, firmou contrato com a Globo, onde se destacou na faixa das 18h ao adaptar obras literárias como Cabocla (1979), escrita por Ribeiro Couto.

Benedito fez uma mudança significativa para a TV Manchete em 1990 com a criação da novela Pantanal, que revolucionou a dramaturgia nacional ao priorizar gravações em locações naturais e destacar as belezas do bioma pantaneiro. O sucesso estrondoso dessa produção resultou no seu retorno à Globo.

Na emissora carioca, escreveu Renascer (1993), ambientada na Bahia rural, seguido por O Rei do Gado, três anos depois. Esta última abordou a rivalidade entre famílias descendentes de italianos enquanto discutia temas relevantes como reforma agrária e disputas pela posse da terra.

No ano seguinte veio Terra Nostra, que também explorou a imigração italiana através das vidas dos personagens Matteo e Giuliana ao chegarem ao Brasil no início do século XX.

Anos depois, Benedito revisitou suas obras anteriores ao produzir remakes de Sinhá Moça (2006) e Meu Pedacinho de Chão (2014). Em relação à segunda adaptação, ele comentou sobre ter conseguido finalmente implementar ideias que haviam sido censuradas durante a ditadura militar na versão original.

A última grande obra inédita do autor foi Velho Chico, transmitida em 2016. Ambientada nas margens do Rio São Francisco, essa novela lidou com conflitos familiares e questões sociais presentes no sertão nordestino.

Permanência no tempo

Benedito Ruy Barbosa é responsável por algumas das novelas mais icônicas da televisão brasileira. Ele conseguiu elevar o campo e o interior do país à condição de protagonistas nas histórias nacionais, unindo narrativas amorosas com conflitos familiares e temáticas sociais relevantes.

Ao refletir sobre sua perspectiva acerca do gênero novelístico, ele afirmou em um depoimento ao projeto Memória Globo:

“Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor.”