sábado, julho 11

Ruchita no MIS: Abertura da Exposição ‘Território de Passagem’ com Entrada Franca em São Paulo

O Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) abrirá no próximo sábado (11) a exposição Território de passagem, que marca a estreia individual da artista multimídia Ruchita na cidade. A entrada é gratuita, e a mostra apresenta oito obras criadas entre 2017 e 2025, incluindo videoarte, fotografias, instalações e performances que exploram as interações entre corpo, tempo e memória. A exibição ficará disponível até o dia 24 de agosto.

Natural de Curitiba e atualmente vivendo em Florianópolis, Ruchita concentra sua produção artística na exploração do próprio corpo como espaço para experimentação. Esta exposição foi pensada especificamente para o MIS, com curadoria de Brunno Almeida Maia e com direção de arte e expografia por Leandro Leão, estabelecendo um diálogo direto com o renomado acervo de videoarte do museu, um dos mais significativos da América Latina.

A organização da mostra é dividida em dois núcleos curatoriais: O Corpo Inacabado e O Corpo é Tempo. No primeiro núcleo, obras como Não sou finito e a nova série Alternar-se discutem temas como vulnerabilidade, repetição e transcendência. Nesta última série, a artista utiliza sua vivência com diabetes como base para uma investigação visual, incorporando elementos como mel e sangue para ilustrar as variações físicas e emocionais decorrentes da condição.

Obra: Alternar-se – Limiares

Dentre as obras inéditas estão instalações intituladas Limiares, Compasso, Abismo e Um corpo que me rodeia. Nelas, Ruchita emprega materiais orgânicos para refletir sobre os limites do corpo humano, saúde e cuidados diários. A artista expressa a intenção de aumentar a visibilidade sobre uma condição que impacta milhões de indivíduos.

“Alternar-se surge de algo que permeia meu corpo, minhas emoções e meu cotidiano. É fundamental abordar esse tema pois os números continuam aumentando. Atualmente, mais de 16 milhões de brasileiros vivem com diabetes e quase 600 milhões em todo o mundo. Portanto, essa obra também convida à reflexão sobre o corpo e os cuidados diários”, declara.

No segundo núcleo da mostra, a série Face à impermanência estabelece uma conexão com a filosofia japonesa Wabi-Sabi, que valoriza a beleza na imperfeição e na transitoriedade das coisas. As obras registradas no Japão investigam o contraste entre contemplação e movimento rápido, decomposição versus permanência, oferecendo diferentes perspectivas sobre tempo e espaço.

Obra: Estar sem estar

A expografia foi projetada para desafiar percursos lineares. Ao invés de um caminho fixo, a disposição da exposição permite ao visitante criar seu próprio percurso através de vídeos, fotografias, sons e instalações, alinhando a experiência artística à ideia de deslocamento e exploração.

Além da mostra principal, o MIS também oferecerá uma programação paralela que inclui visitas mediadas, uma oficina sobre videoarte, um bate-papo com Ruchita e o lançamento do livro Todo momento de achar é um perder-se a si própria, que compila sua produção entre 2017 e 2025.

A respeito da sua estreia em São Paulo, Ruchita ressaltou o significado simbólico desta oportunidade.

“Ainda existe uma forte centralização na produção cultural entre Rio-São Paulo; artistas do Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste enfrentam barreiras para serem vistos. Realizar minha estreia em São Paulo no MIS tem um grande significado pessoal”, destacou.

Obra: Um estado claro de ambiguidade

Serviço

Exposição: Território de passagem — Ruchita
Local: Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) — Espaço Maureen Bisilliat
Endereço: Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo
Data: De 11 de julho até 24 de agosto de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Terças a sextas-feiras das 10h às 19h; sábados das 10h às 20h; domingos e feriados das 10h às 18h.
Ativações gratuitas: visita mediada em 20 de agosto às 19h30; bate-papo em 21 de agosto às 19h30; oficina prática em videoarte em 22 de agosto às 10h.
Aviso: Atividades sujeitas à lotação máxima.