quinta-feira, agosto 20

Economista refuta Flávio Bolsonaro e revela os motivos das lojas desertas

Flávio Bolsonaro (PL) utilizou uma loja fechada das Casas Bahia como palco para sua campanha eleitoral contra Lula. Na quarta-feira (19), o candidato à presidência gravou um vídeo em frente a uma filial da rede em Taguatinga, no Distrito Federal, buscando vincular a crise enfrentada pela varejista à política econômica do atual governo.

Essa loja faz parte do contingente de quase 300 estabelecimentos que devem encerrar atividades após a empresa solicitar recuperação judicial, com uma dívida registrada de R$ 17,3 bilhões. A companhia, por sua vez, atribui suas dificuldades também a investimentos realizados em tecnologia e logística, além da digitalização das lojas iniciada em 2019 e os efeitos da pandemia.

O argumento de que lojas e feiras vazias são indícios de que o governo “quebrou” o comércio já havia sido contestado anteriormente por Presley Vasconcellos, economista e criador de conteúdo nas redes sociais. Com mestrado em Teoria Econômica, ele defende a ideia de “economia para pessoas reais” em suas publicações.

No material apresentado, Presley utiliza dados do próprio setor varejista. Ele destaca que o comércio teve uma alta de 1,9% no primeiro semestre de 2026. No mês de maio, o segmento de roupas e calçados registrou um crescimento de 3,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Então eu te pergunto: se houve crescimento, para onde estão indo essas pessoas que postam vídeos com o comércio vazio? Porque todos estão migrando para o e-commerce”, afirma ele.

Da loja física ao celular

O setor de comércio eletrônico obteve um faturamento de R$ 235,5 bilhões em 2025, representando um aumento de 15,3%, com previsões para 2026 apontando para aproximadamente R$ 259 bilhões.

A tendência é que as pessoas deixem de fazer compras nas ruas e optem pelo celular”, observa Presley.

Essa transformação já se reflete nas compras cotidianas. As vendas online de produtos de consumo rápido cresceram 34%, enquanto dados mencionados pelo economista indicam que 25% das compras diárias já ocorrem por meio de plataformas digitais.

Para ele, essa mudança ajuda a compreender por que as lojas físicas podem apresentar menos movimento sem que isso implique uma queda proporcional no consumo geral.

A concorrência também evoluiu. Plataformas como Mercado Livre, Amazon, Shopee e TikTok Shop agora competem diretamente pelo mesmo público consumidor, oferecendo preços mais baixos e a conveniência das compras rápidas.

“Com apenas alguns cliques você pode comprar sem sair da cama”, ressalta.

O TikTok Shop exemplifica essa rápida transição; entre maio e setembro de 2025, a receita média diária da plataforma no Brasil aumentou 26 vezes.

Presley ainda critica a tentativa de simplificar essa mudança estrutural como uma questão meramente política entre diferentes governos.

Precisamos ser justos na nossa análise e considerar o movimento do mercado, independentemente se estamos falando do governo A ou B, seja Lula ou Bolsonaro”, afirma.

Para ilustrar seu ponto de vista, ele compara a situação atual do varejo ao desaparecimento das locadoras de DVDs. As pessoas continuam assistindo filmes; a única coisa que mudou foi a forma como consomem esse conteúdo.

“Esses negócios não estão competindo com o governo; eles estão competindo com grandes corporações que estão investindo pesadamente no mercado”, conclui.