O ano de 2023, que foi marcado por intensas disputas eleitorais e debates sobre o futuro da política no Brasil, também revela a importância da presença feminina na extrema direita para entender as transformações políticas no país. Nesse contexto, será lançado em setembro o livro Mulheres e extrema direita no Brasil, escrito pelas pesquisadoras Christina Vital da Cunha e Jacqueline Moraes Teixeira, com a colaboração da Fundação Heinrich Böll.
A publicação já está disponível para pré-venda no site da editora Elefante, e se propõe a investigar o papel das mulheres na criação de redes políticas, na disseminação de valores conservadores e em sua luta por posições de poder. Em vez de considerá-las meras coadjuvantes nas narrativas dominadas por homens, as autoras exploram suas trajetórias e modos próprios de engajamento político. Elas são figuras que formam alianças, estruturam redes, mobilizam comunidades e atribuem novos significados à participação feminina na esfera pública.
O resultado é uma obra que lança luz sobre uma característica fundamental do conservadorismo, evidenciando a conexão entre o protagonismo político feminino e a defesa de valores tradicionais vinculados à família, aos papéis de gênero e às dinâmicas sociais. As autoras também esclarecem como esses princípios podem ser utilizados como ferramentas para mobilização política, contribuindo para o fortalecimento de redes e parcerias. Nesse cenário, o feminismo surge como um elemento contraposto, destacando uma tensão essencial: enquanto as mulheres ampliam seu protagonismo político, elas promovem projetos que podem reforçar papéis tradicionais de gênero.
Este lançamento ocorre próximo às eleições de 2026, em um período em que questões como conservadorismo, religião, direitos das mulheres e participação política voltam a ganhar destaque nas discussões públicas.
Capa do livro “Mulheres e extrema direita no Brasil”
A obra proporciona uma nova perspectiva sobre um fenômeno que se fortaleceu nos últimos anos: a ascensão das mulheres como protagonistas na organização e comunicação dentro da extrema direita brasileira.
“A atuação feminina na extrema direita vai além dos limites da política formal; ela se estende a comunidades, igrejas, redes sociais e dinâmicas familiares. Para entender esse protagonismo é necessário reconhecer a diversidade das experiências femininas e perceber que a inserção das mulheres em espaços de poder não implica automaticamente um avanço na igualdade de gênero. É crucial avaliar quais direitos, relações sociais e visões de sociedade estão sendo fortalecidos por essa participação”, afirma Marilene de Paula, coordenadora de programas da Fundação Heinrich Böll e autora do prefácio.
Mais do que apenas relatar as histórias das mulheres envolvidas nesse campo político, o livro busca compreender os valores subjacentes e as formas de engajamento que motivam esse envolvimento, enriquecendo assim a reflexão sobre os temas da política e gênero. A publicação faz parte dos esforços contínuos da Fundação Heinrich Böll para produzir conhecimento acerca de democracia, direitos humanos, gênero e o crescimento dos movimentos autoritários.
Sobre as autoras
Christina Vital da Cunha é pesquisadora com bolsa do CNPq, atuando como professora no Departamento de Sociologia e no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela também coordena o Laboratório de Estudos Sócio-Antropológicos em Política, Arte e Religião (Lepar). Christina é membro fundadora do Comitê Laicidade e Democracia da Associação Brasileira de Antropologia. É autora do livro Oração de traficante: uma etnografia, além de coautora em publicações como Religião e política: medos sociais, extremismo religioso e as eleições (2014/2017) e Religião e política: uma análise da participação de parlamentares evangélicos sobre os direitos das mulheres e LGBTs no Brasil (2012). Desde 2017 ela edita o periódico científico Religião & Sociedade.
Jacqueline Moraes Teixeira é bolsista do CNPQ e professora do Departamento de Saúde e Sociedade bem como do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública na Faculdade de Saúde Pública da USP. Além disso, leciona no Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGSOL) da UnB. Jacqueline coordena o CRESPO (Cultura, Religião, Sujeitos e Políticas) e realiza pesquisas no Cebrap. Ela integra a diretoria da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e participa do Comitê sobre Políticas Públicas da Anpocs. Atualmente ocupa um cargo na Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento da USP. É autora do livro A mulher universal: corpo, gênero e pedagogia da prosperidade, cuja primeira edição foi publicada em 2016; atualmente está trabalhando na segunda edição (2021), além do livro A conduta Universal: governo de si e políticas de gênero na Igreja Universal, que está prestes a ser publicado pela Editora Appris. Também faz parte do comitê científico da Revista Cadernos Pagu.
Marilene de Paula, responsável pelo prefácio do livro, é historiadora formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), possui mestrado em Bens Culturais e Projetos Sociais pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e atua como coordenadora na Fundação Heinrich Böll. É organizadora das obras “Democracia sob pressão: reflexões sobre a extrema direita com as chaves do passado, presente e futuro” (2025) e “Religião, democracia e a extrema direita” (2024). Seu trabalho abrange temas relacionados à democracia, participação social, segurança pública, racismo estrutural, direitos das mulheres e resistência ao avanço das agendas antidemocráticas. Ao longo dos anos contribuiu para campanhas contra abusos policiais e pela defesa dos direitos humanos.
SERVIÇO:
Mulheres e extrema direita no Brasil
Autoras: Christina Vital da Cunha e Jacqueline Moraes Teixeira
Parceria: Fundação Heinrich Böll
Editora Elefante
Pré-venda: https://editoraelefante.com.br/o-que-e-e-como-funciona-a-pre-venda-da-elefante/
