Durante sua participação no Fórum Onze e Meia nesta quinta-feira, dia 20, o escritor e jornalista Fernando Morais expressou sua preocupação com a possibilidade de uma interferência direta dos Estados Unidos nas próximas eleições brasileiras. Ele mencionou um personagem central nessa trama, Alex Saab, conforme já havia sido antecipado pelo diretor de redação da Fórum, Renato Rovai, em um vídeo divulgado no dia 31 de julho.
Morais iniciou sua análise ao destacar que os EUA têm tentado se intrometer na política brasileira. “O secretário de Estado dos EUA publicou um relatório há poucos dias, mencionando uma nova interpretação da Doutrina Monroe adaptada aos interesses de Donald Trump, que ele chamou de Doutrina Donroe”, recordou.
Em suas declarações, o jornalista enfatizou: “Estou convencido de que eles farão tentativas de interferência. Nossa sorte é que geralmente suas ações não têm sucesso. Lembrem-se do que ocorreu na Hungria, quando Trump enviou seu vice-presidente para fazer campanha e o candidato deles foi derrotado com grande margem”, comentou Morais.
Ele também destacou os riscos associados a essa situação. “Trump imaginou que conseguiria resolver a questão com o Irã em pouco tempo. No início do seu mandato, ele prometeu acabar com a guerra na Ucrânia em apenas um dia; quase dois anos depois, a guerra ainda persiste. Da mesma forma, afirmou que destruiria o Irã em seis dias e agora já se passaram meses sem resultados”, ressaltou.
Segundo Morais, essas falhas podem levar Trump a buscar uma vingança antes das eleições intermediárias nos EUA no final deste ano. “Ele já invadiu a Venezuela e sequestrou tanto o presidente quanto sua esposa sem qualquer acusação formal”, alertou.
Questão nebulosa
<pO jornalista continuou abordando a complexidade da situação venezuelana e mencionou o sequestro do diplomata Alex Saab pelos EUA durante um período crítico de bloqueio econômico contra o país. “Os Estados Unidos capturaram Alex Saab em um momento em que a Venezuela precisava urgentemente de recursos para adquirir vacinas e começou a estabelecer acordos paralelos com países amigos”, explicou.
Saab estava encarregado pelo presidente Nicolás Maduro de realizar transações comerciais com o Irã. Durante uma viagem de Teerã a Caracas, seu avião fez uma parada em Cabo Verde para reabastecer. “Ao desembarcar em Cabo Verde, ele foi sequestrado pela CIA com ajuda do governo local”, relatou Morais. Saab foi levado à força para uma prisão na Flórida sem nenhum mandado judicial.
Morais revelou que recebeu uma proposta para entrevistar Saab enquanto ele estava detido. “Os advogados dele conseguiram autorização do juiz”, contou o jornalista, que aceitou participar da entrevista.
“Eu fui ao consulado americano para renovar meu visto e confirmei que era jornalista visando realizar reportagens sobre o caso junto com meu parceiro Alcides Moreno”, compartilhou Morais sobre os preparativos feitos antes da viagem.
No entanto, antes da partida, ele soube que Maduro havia feito um acordo com os EUA: a libertação de Saab seria trocada por sete agentes norte-americanos prisioneiros na Venezuela. “Fui informado para não seguir viagem e desmontei toda a operação”, disse Morais.
Após esses eventos, Alex Saab foi nomeado ministro da Indústria e Comércio da Venezuela. Porém, logo após o sequestro do casal Maduro pelos EUA, as autoridades americanas solicitaram sua extradição sob acusações relacionadas ao tráfico de drogas e comércio ilegal de ouro. “Fico me perguntando o que realmente aconteceu”, indagou Morais.
Neste contexto, surgiu a alegação dos EUA de que Saab atuava como agente duplo colaborando tanto com os serviços secretos venezuelanos quanto com a CIA. “Não sei até onde essa afirmação é verdadeira”, completou Morais.
Pivô em potencial da tentativa de golpe
Diante desses acontecimentos, Morais sugere que Alex Saab possa ser uma peça-chave na tentativa de golpe orquestrada por Trump no Brasil. Rovai revelou que Saab estaria negociando delações falsas contra o presidente Lula.
“Não é coincidência que Lula tenha mencionado as fragilidades nos serviços de defesa das Forças Armadas brasileiras”, acrescentou Morais.
Por fim, ele concluiu: “O plano está claro: utilizar Alex Saab como arma para atacar Lula e o PT visando deteriorar a imagem do governo federal às vésperas de uma eleição decisiva”.
Assista à íntegra da entrevista com Fernando Morais
