quinta-feira, junho 25

Gigante do setor de fertilizantes no Centro-Oeste prevê a criação de 8 mil postos de trabalho a partir de julho

Nesta quinta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou a assinatura dos contratos para a finalização da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas, no estado de Mato Grosso do Sul. Essa construção estava inativa desde 2014 e faz parte do Novo PAC, com um investimento de mais de R$ 5 bilhões provenientes da Petrobras. A cerimônia de relançamento ocorreu no município sul-mato-grossense, e as obras estão programadas para recomeçar em julho, com a expectativa de que a unidade comece suas operações comerciais em 2029. O governo tem como meta diminuir a dependência nacional de fertilizantes importados e aumentar a segurança alimentar do Brasil.

Retomada da obra por Lula

Durante o evento em Três Lagoas, o presidente assinou acordos com as empresas encarregadas da conclusão das obras. Magda Chambriard, presidente da Petrobras, afirmou que os trabalhos serão reiniciados em julho, com um investimento que ultrapassa R$ 5 bilhões. A previsão é que a unidade inicie suas atividades comerciais no ano de 2029.

A retomada das obras é prevista para criar cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos na área. Para atender essa necessidade, a Petrobras anunciou, um dia antes da cerimônia, o projeto “Autonomia e Renda Três Lagoas”, com foco na capacitação profissional dos moradores locais. Serão disponibilizadas 1,4 mil vagas em cursos de formação e qualificação, realizados em colaboração com o Sesi, Senai e institutos federais, todos voltados para atuação na UFN-III.

Lula enfatizou durante o evento: “Podem ficar certos, esse país vai construir sua soberania, sendo independente de importação de fertilizantes dos outros países.”

Objetivos e impacto da UFN-III

Com a sua operação prevista, a UFN-III terá uma capacidade diária de produção estimada em 3,6 mil toneladas de ureia granulada e 2,2 mil toneladas diárias de amônia, totalizando aproximadamente 1,3 milhão de toneladas anuais de ureia. Esse volume representa cerca de 16% do consumo nacional desse insumo, conforme informações divulgadas pelo Palácio do Planalto.

A escolha da localização da fábrica no Centro-Oeste não foi aleatória; essa região concentra cerca de 40% da demanda brasileira por ureia devido às culturas predominantes como milho, cana-de-açúcar, algodão e pastagens. A proximidade das principais áreas agrícolas deve resultar na diminuição dos custos logísticos para produtores nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.

A UFN-III integra um conjunto de quatro unidades destinadas à produção de fertilizantes pela Petrobras dentro do Novo PAC, juntamente com Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA. Com todas essas instalações operacionais até 2029, a estatal espera suprir aproximadamente 35% do mercado nacional de ureia. Isso contrasta fortemente com o cenário atual: antes da retomada das fábricas, todo o consumo brasileiro desse produto era atendido por importações.

Histórico da paralisação e novo impulso

A construção da UFN-III teve início em 2011; no entanto, as obras foram suspensas em dezembro de 2014 após a Petrobras rescindir o contrato com o consórcio responsável pela obra devido ao descumprimento das cláusulas acordadas. Após mais de dez anos sem progresso significativo, a retomada foi confirmada após uma nova avaliação técnica e econômica que validou a viabilidade do projeto.

Em 2017, a Petrobras chegou a considerar vender tanto a UFN-III quanto a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) como parte da sua estratégia de desinvestimento. Contudo, esse processo foi interrompido por uma decisão do STF que exigiu autorização legislativa para vendas dessas estatais; apesar disso, posteriormente foi autorizada a venda das subsidiárias.

“Não tem explicação sobre o tempo que essa obra ficou parada. Uma coisa é você não começar uma obra; outra é você ter quase 85% da estrutura pronta e não concluir enquanto o Brasil paga preços exorbitantes para importar fertilizantes que poderiam ser produzidos aqui.”