sexta-feira, junho 26

Lula comenta a escolha de Abelardo de la Espriella como novo líder colombiano

Na última quinta-feira (25), o Conselho Nacional Eleitoral da Colômbia anunciou oficialmente a vitória de Abelardo de la Espriella na eleição presidencial realizada no domingo anterior, dia 21.

O advogado e empresário, identificado como representante da extrema-direita, superou o senador de esquerda Iván Cepeda com uma vantagem aproximada de 250 mil votos, uma diferença que corresponde a menos de um ponto percentual. Essa foi uma das eleições mais apertadas da história recente do país. Abelardo de la Espriella tomará posse como presidente em 7 de agosto, encerrando assim o mandato de Gustavo Petro, que foi o primeiro presidente de esquerda da Colômbia. O presidente Lula se manifestou através de uma nota conciliatória, evitando felicitar diretamente o novo presidente e direcionando seus cumprimentos ao “povo colombiano”.

A confirmação do resultado e a visão de Espriella

A consagração da vitória ocorreu após o término da contagem pela Registradoria Nacional, revelando uma discrepância mínima de apenas 0,003% entre os resultados preliminares e os oficiais. O partido do candidato derrotado solicitou a anulação de 33 mil mesas eleitorais, mas Cepeda decidiu reconhecer o resultado na quarta-feira (24), antes da formalização da diplomação. “Optei por aceitar o resultado deste processo que indica que Abelardo de la Espriella é agora o novo presidente da República”, afirmou o senador.

Durante a cerimônia de diplomação, Espriella deixou claro seu posicionamento para o futuro. “Os colombianos optaram por um novo estilo político e uma nova maneira de governar”, declarou em seu discurso. Ele também enfatizou que “a conivência com o crime chegou ao fim.” O presidente eleito reafirmou que não manterá diálogo com grupos dissidentes das Farc, rompendo com a abordagem pacifista promovida por Petro. Filiado ao movimento Defensores da Pátria e conhecido pelo apelido “El Tigre”, Espriella prometeu durante sua campanha um corte de 40% no tamanho do Estado, reiniciar a exploração petrolífera e implementar uma postura rigorosa contra o narcotráfico, incluindo bombardeios em acampamentos armados. Possuidor da cidadania americana, ele declarou ser admirador de Donald Trump, cujo secretário de Estado, Marco Rubio, foi um dos primeiros líderes internacionais a congratulá-lo pela vitória.

A postura pragmática de Lula e suas implicações

A resposta do governo brasileiro surgiu quatro dias após as eleições em uma publicação na plataforma X. Lula parabenizou o “povo colombiano pelo exercício democrático e soberano” e também cumprimentou Espriella pela conquista eleitoral; no entanto, adotou um enfoque diferente em comparação com suas reações a pleitos anteriores na região. Após a vitória de Rodrigo Paz na Bolívia em outubro de 2025, Lula enviou uma carta ao novo presidente eleito; já no caso do recém-eleito José Antonio Kast no Chile em dezembro do mesmo ano, as felicitações foram diretas. Para a Colômbia, porém, os cumprimentos foram direcionados ao povo e não ao candidato vencedor.

“A amizade entre Brasil e Colômbia transcende ideologias e é crucial para enfrentarmos desafios comuns como a preservação da Amazônia, combate à pobreza e ao crime organizado. Que possamos continuar colaborando para o benefício dos nossos povos.”

A escolha diplomática é estratégica. Com Espriella assumindo a presidência alinhado às ideias trumpistas e defendendo o término dos esforços para paz com grupos armados enquanto promete retomar a exploração petrolífera, há um conflito direto com os compromissos ambientais que Lula tem promovido como bandeira regional. Diante disso, com a Colômbia se afastando do campo progressista, apenas Brasil e Uruguai permanecem como os únicos países sul-americanos sob governos esquerdistas, conforme análise da consultoria Colombia Risk Analysis mencionada pela BBC News Mundo. Esse crescente isolamento torna necessário um pragmatismo nas relações internacionais; no entanto, isso não elimina as repercussões políticas envolvidas em normalizar um discurso amistoso diante de uma mudança que pode ameaçar acordos pacificadores, as questões ambientais na Amazônia e a proteção dos movimentos sociais na região.