A pré-candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), respondeu aos ataques feitos pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Em um evento, Tarcísio, que nasceu no Rio de Janeiro, criticou Marina e sua concorrente Simone Tebet (PSB) por não serem naturais de São Paulo e ainda assim desejarem uma vaga no Senado. Ele declarou:
“Com todo respeito às duas candidatas de outros partidos, elas não iniciaram sua trajetória política em São Paulo, nem elegeram este estado para servir. Foram atuar no Mato Grosso do Sul e no Acre, onde levaram o cartão vermelho. Se fossem candidatar-se lá, não teriam êxito.”
Marina Silva respondeu às observações de Tarcísio destacando a natureza misógina de suas palavras. Para ela, o governador parece acreditar que homens podem vir de fora e serem aceitos, enquanto as mulheres continuam sendo vistas como “estrangeiras” e “de fora”:
“Ele é carioca e se tornou governador em São Paulo, então essa atitude diz mais sobre ele do que sobre mim ou Simone. Ele mostra que tem critérios diferentes: para ele é natural fazer política aqui, mas para nós não é. Isso também revela um preconceito contra as mulheres, como se elas não pudessem reivindicar seu espaço. Nós temos o direito de estabelecer nosso território onde quisermos.”
Tarcísio critica candidatas ao Senado sem vínculos paulistas
No dia 8 de agosto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez críticas contundentes às candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), argumentando que elas não têm raízes políticas em São Paulo. Ele alegou que ambas haviam recebido “cartão vermelho” em seus estados de origem e que não seriam eleitas em solo paulista. Essas declarações foram compartilhadas nas redes sociais pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP), opositor das duas na corrida eleitoral.
Entretanto, a crítica acabou se voltando contra Tarcísio: ele é carioca e foi indicado por Jair Bolsonaro para concorrer ao governo paulista em 2022 sem nenhum vínculo político anterior com o estado. Marina já havia denunciado essa lógica como uma “visão misógina”.
Críticas diretas durante evento político
<pDurante um encontro do partido Republicanos na noite do dia 7 de agosto no interior paulista, Tarcísio atacou diretamente as líderes das pesquisas para o Senado em São Paulo: “Com todo respeito às duas candidatas dos outros partidos, elas não começaram a fazer política aqui. Elas serviram o Mato Grosso do Sul e o Acre e levaram os cartões vermelhos desses estados. Se fossem candidatar-se lá, lá não teriam votos”, afirmou o governador em vídeo divulgado por Derrite.
Assista ao vídeo:
https://x.com/lazarorosa25/status/2074923889054884123
“E pode ter certeza que aqui também não será diferente. Nós vamos nos empenhar para garantir a melhor representação possível. Precisamos de alguém que compreenda a importância da segurança pública para nossa população”, completou.
A menção à segurança pública refere-se aos candidatos apoiados por Tarcísio: André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), sendo Derrite também quem divulgou o vídeo com as críticas. Simone Tebet é natural do Mato Grosso do Sul e está concorrendo pela primeira vez em São Paulo. Já Marina Silva nasceu no Acre mas atua como deputada federal por São Paulo desde 2022.
Reações às acusações
Marina Silva já havia contestado críticas semelhantes anteriormente. Em 25 de junho, quando anunciou sua candidatura ao Senado na chapa liderada por Fernando Haddad (PT), ela respondeu a um ataque similar feito pelo prefeito Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio.
“Essa visão é misógina. Quando um homem vem de outro estado para se candidatar, é recebido com honras. Mas quando são duas mulheres, somos tratadas como forasteiras”, afirmou.
A ex-ministra ressaltou seu forte vínculo com São Paulo: “Este estado salvou minha vida três vezes durante minhas doenças graves. Um bispo pagou minha passagem só de ida para cá para ser tratada no Hospital das Clínicas”, contou ela. “Devo muito a São Paulo, que simboliza acolhimento para todos os brasileiros e imigrantes que buscam oportunidades.”
A polêmica da origem carioca
A crítica feita por Tarcísio reacende um debate sobre sua própria trajetória política em 2022. O governador é carioca fanático pelo Flamengo e mudou seu domicílio eleitoral para São José dos Campos (SP) após deixar Brasília, onde era ministro da Infraestrutura. Durante a campanha daquele ano, chegou a afirmar que desconhecia onde votava na cidade. Sua mudança foi alvo de investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público paulista para verificar sua elegibilidade para concorrer ao governo estadual, sendo chamado pela oposição de “forasteiro”.
O argumento utilizado agora por Tarcísio contra Tebet e Marina já havia sido usado contra ele sem sucesso eleitoralmente. A diferença apontada por Marina diz respeito ao gênero das candidatas: “Essa visão misógina persiste: homens são acolhidos enquanto mulheres são tratadas como forasteiras”. Outros aliados do governador também adotaram essa narrativa errônea: Lucas Sanches (PL), prefeito de Guarulhos, chegou a confundir a origem de Tebet durante suas críticas.
Análise da disputa eleitoral em São Paulo
A pressão política por trás dos ataques reflete a relevância da eleição no cenário atual. Tanto Tebet quanto Marina estão na liderança das intenções de voto para as duas vagas disponíveis no Senado por São Paulo, superando André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), candidatos endossados pelo governador Tarcísio. Uma derrota nas urnas representaria um golpe significativo nos planos políticos dele: o Senado desempenha um papel crucial na dinâmica política nacional e São Paulo possui a maior bancada do país.
Simone Tebet responde à ofensa com humor
A ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB), também pré-candidata ao Senado, revidou as ofensas proferidas pelo carioca Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador criticou tanto ela quanto Marina Silva pela falta de raízes políticas em São Paulo.
As declarações foram postadas nas redes sociais pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP), adversário direto das duas candidatas na disputa senatorial. Tarcísio acusou-as de terem “levado o cartão vermelho” nos estados onde atuaram anteriormente e garantiu que “não serão eleitas” em São Paulo.
Em entrevista à CNN Brasil, Simone rebateu rapidamente: “Sou corintiana, não flamenguista! Tenho pago impostos em São Paulo há uma década sem precisar usar endereço alheio para me candidatar!”
Essa declaração expõe a rivalidade futebolística entre os dois governantes além da questão da residência estabelecida por Tarcísio durante sua candidatura em 2022.
