Não há apenas um Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027. A lista anunciada nesta quarta-feira (9) pela Academia Brasileira de Cinema atravessa o sertão do Piauí, o interior de Goiás e as ruas de Belo Horizonte para apresentar diferentes territórios, personagens e experiências brasileiras.
Dos 15 filmes inicialmente habilitados, seis avançaram à etapa final: 100 Dias, A Fabulosa Máquina do Tempo, A Natureza das Coisas Invisíveis, Feito Pipa, Nosso Segredo e Vicentina Pede Desculpas.
A seleção também chama atenção pela presença feminina atrás das câmeras: três dos seis títulos finalistas são dirigidos por mulheres — Eliza Capai, Rafaela Camelo e Grace Passô. As infâncias brasileiras, frequentemente relegadas a papéis secundários, também ocupam espaço importante entre as produções selecionadas.
O Brasil que aparece na tela
As seis histórias não estão reunidas em torno de uma única estética ou tema. Entre documentário, drama e diferentes territórios do país, os filmes percorrem experiências marcadas por infância, relações familiares, desigualdade, luto, memória e afeto.
Em A Fabulosa Máquina do Tempo, Eliza Capai acompanha meninas do sertão piauiense que usam a imaginação para revisitar a vida de suas mães e avós. Ao pensar sobre passado e futuro, o filme atravessa questões como pobreza, machismo e religião na vida das mulheres daquela comunidade.
A infância também conduz A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo. A amizade entre duas meninas nasce dentro de um hospital e se desenvolve em meio à doença, aos vínculos familiares e à proximidade da despedida.
Já Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, olha para os vínculos familiares a partir de Gugu, um menino criado pela avó que precisa lidar com a possibilidade de passar a viver com um pai marcado pela ausência.
Em Nosso Segredo, Grace Passô coloca uma família negra diante de uma perda que desorganiza sua rotina e faz surgir dores que até então estavam guardadas.
O luto também atravessa Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins. Na trama, uma mãe decide procurar as famílias das vítimas de um acidente depois que seu filho, motorista de ônibus, é acusado de provocar a tragédia.
Completa a lista 100 Dias, de Carlos Saldanha. O filme leva para as telas a travessia de Amyr Klink entre a África e o Brasil, transformando a jornada solitária pelo Atlântico em uma história de resistência, medo e enfrentamento dos próprios limites.
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A disputa ainda não terminou
A Academia Brasileira de Cinema voltará a se reunir em 16 de setembro para definir qual dos seis títulos representará o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
A escolha no entanto, não garante uma indicação. Depois de ser selecionado no Brasil, o longa ainda precisará passar pelo processo conduzido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood até, eventualmente, chegar ao grupo dos cinco indicados à estatueta.
A comissão responsável pela escolha brasileira tem 15 integrantes, sendo 12 eleitos pelos associados da Academia Brasileira de Cinema e três indicados por sua diretoria. Os nomes dos integrantes permanecem em sigilo até a divulgação do filme escolhido.
Antes disso, a escolha está aqui: decidir qual dessas histórias levará um pedaço do Brasil para a corrida pelo Oscar.
