O deputado federal Paulo Bilynskyj, do PL de São Paulo, reconheceu que o print que circulou do grupo bolsonarista “Amigos de Confiança” no WhatsApp foi enviado de seu próprio celular. A imagem revelou uma conversa onde Ricardo Salles, do partido Novo de São Paulo, sugere que Michelle Bolsonaro poderia ser uma alternativa à candidatura de Flávio Bolsonaro, caso esta comece a perder apoio.
Na mensagem atribuída a Bilynskyj, ele menciona que compartilhou o registro com o grupo de seu gabinete para alertá-los sobre as declarações de Salles. Em seguida, ressalta que a imagem se espalhou entre os assessores, chegou à mídia e promete investigar a situação para punir o responsável pelo vazamento.
“O print saiu do meu celular. Enviei para o grupo do meu gabinete com o alerta sobre a posição de Salles em relação à candidatura do Flávio.”
Além disso, o deputado expressou suas desculpas aos membros do grupo e anunciou sua saída da conversa: “Peço desculpas por ter prejudicado a todos e me retiro do grupo. Peço perdão arrependido”, afirmou na mensagem.
Paulo Bilynskyj no centro da controvérsia
A confissão coloca Bilynskyj em destaque na crise interna da extrema direita. O grupo intitulado “Amigos de Confiança” agora simboliza um paradoxo: em vez de confiança, surgem desconfianças e disputas entre aliados.
Esse incidente afeta um parlamentar que construiu sua imagem associada ao bolsonarismo mais radical. Bilynskyj já havia sido alvo de críticas por exaltar em plenário seu avô que serviu na polícia nazista durante o regime de Hitler, uma declaração que causou grande repúdio político.
A nova situação é distinta, mas mantém uma lógica semelhante: o discurso forte é ofuscado pela fragilidade. O deputado, que se posiciona como linha-dura, inadvertidamente se torna a origem de um vazamento que embaraça seu próprio campo político.
Defesa de Michelle Bolsonaro no lugar de Flávio
No conteúdo vazado, Ricardo Salles sugere que Michelle Bolsonaro deveria assumir a candidatura caso Flávio comece a “perder tração”. Essa declaração ilustra claramente a crise de confiança referente à sucessão política após Jair Bolsonaro.
“Se começar a perder tração, o melhor é colocar a Michelle.”
A resposta dentro do grupo foi rápida. Membros expressaram desconforto com a possibilidade da ex-primeira-dama assumir essa posição. Um dos participantes chegou a declarar que preferiria ver Lula vencer do que ver Michelle como candidata.
A fala de Salles evidencia ainda mais a divisão dentro do bolsonarismo. De um lado, Flávio busca se afirmar como o herdeiro direto da figura paterna; por outro lado, setores da direita veem em Michelle uma alternativa eleitoralmente mais sólida para manter o sobrenome Bolsonaro nas discussões políticas.
Desgaste no grupo “Amigos de Confiança”
Esse vazamento ocorre em um momento crítico para Flávio Bolsonaro, especialmente após as revelações sobre conversas envolvendo recursos financeiros com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Sabe-se agora que Flávio confirmou ter solicitado dinheiro a Vorcaro. A situação se agravou quando a produtora do filme negou ter recebido qualquer quantia dele e desmentiu as alegações feitas por Flávio.
O nome “Amigos de Confiança” agora representa um grande constrangimento. O grupo criado para articulações discretas transformou-se em um documento público evidenciando as disputas pelo legado político deixado por Bolsonaro. A confiança se converteu em suspeita; lealdade se tornou estratégia; e unidade passou a ser apenas aparente.
A recente declaração feita por Paulo Bilynskyj marca um novo capítulo na narrativa: ao admitir que o print teve origem em seu celular e foi compartilhado com seu gabinete, ele transforma um episódio reservado em uma crise política clara, com autoria identificada e consequências internas iminentes.
