quarta-feira, junho 3

Trump intermedia trégua histórica entre Israel e Líbano

Um acordo de cessar-fogo foi alcançado entre os governos de Israel e Líbano, pondo fim a mais de seis semanas de hostilidades. A informação foi divulgada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que desempenhou um papel fundamental como mediador nas tratativas realizadas em Washington.

Trump utilizou a plataforma Truth Social para comunicar que manteve diálogos individuais com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun.

“Os líderes dos dois países concordaram em iniciar formalmente um cessar-fogo como uma medida para promover a paz entre suas nações”, escreveu o presidente americano em sua publicação.

Na terça-feira, Washington recebeu o primeiro encontro direto entre representantes de Israel e do Líbano em décadas. Desde a fundação do Estado israelense em 1948, os dois países permanecem tecnicamente em estado de guerra. Este encontro também se destacou por ser o mais elevado em termos hierárquicos desde 1993.

Anteriormente, o presidente libanês já havia demonstrado a intenção de Beirute em reduzir as tensões no sul do Líbano e em outras áreas do país, buscando, conforme suas declarações, “evitar a destruição de lares nas vilas e cidades”.

Fragilidade do acordo

O entendimento mediado por Trump não contempla a retirada das forças israelenses das regiões sul-libanesas e não contou com a participação do Hezbollah, partido político e grupo militar que tem sido crucial na resistência à ocupação israelense no Líbano.

Tanto Israel quanto o governo libanês compartilham um interesse comum na desmobilização do Hezbollah, que é aliado ao Irã.

Em um discurso na terça-feira, Naim Qassem, secretário-geral do Hezbollah, reiterou que o grupo está disposto a continuar sua resistência armada e se opôs a qualquer iniciativa política que possibilite negociações diretas com Israel.

Qassem mencionou que o acordo estabelecido em novembro de 2024 previa o fim das hostilidades, a libertação de prisioneiros e o início da reconstrução do Líbano; no entanto, segundo ele, essas condições não foram cumpridas na prática.

Ele afirmou ainda que a resistência foi paciente durante meses antes de decidir agir no momento que considerou estratégico para interromper um plano hostil maior contra o Líbano.

No âmbito militar, Qassem declarou que os combatentes da Resistência Islâmica estão prontos para capturar soldados israelenses assim que surgir uma oportunidade e reafirmou que a resistência permanecerá ativa “até o último suspiro”.

Papel do Irã no cessar-fogo

Conforme reportado pelo veículo libanês Al Mayadeen, a pressão exercida pelo Irã foi essencial — e não apenas secundária — nas discussões que resultaram no cessar-fogo entre Israel e Líbano, segundo informações fornecidas por autoridades envolvidas nas negociações.

Além disso, Teerã estabeleceu uma conexão direta entre as condições para o cessar-fogo e a segurança no Estreito de Ormuz. O Irã já havia suspendido ou ameaçado limitar o tráfego marítimo naquela região como resposta aos ataques israelenses ao Líbano, operando sob uma lógica descrita como “cessar-fogo para todos ou para nenhum”.