Tradicionalmente considerado um parceiro de Israel, a maioria da população americana tem demonstrado um crescente distanciamento, especialmente em decorrência das guerras na região. Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center revela que seis em cada dez cidadãos dos EUA têm uma visão desfavorável do país. Essa mudança é notável, com um aumento de aproximadamente 20 pontos percentuais na percepção negativa nos últimos quatro anos.
A diminuição na popularidade de Israel afeta diversos segmentos da sociedade, sendo mais acentuada entre os jovens e eleitores do Partido Democrata. Essa tendência ocorre em um contexto onde as eleições de meio de mandato se aproximam, podendo alterar a composição do Congresso em novembro.
Essa transformação no ambiente político reflete o crescente descontentamento da opinião pública em relação aos conflitos em Gaza, Líbano e Irã. Um indicativo claro dessa mudança foi a votação recente sobre uma resolução proposta pelo senador Bernie Sanders, que visava proibir a venda de armas para Israel.
Apesar da rejeição da proposta, 40 dos 47 senadores do Partido Democrata, todos eles candidatos neste ano, manifestaram apoio à medida, indicando um afastamento sem precedentes. Em contraste, no ano anterior, apenas 15 senadores haviam endossado uma iniciativa semelhante.
Nos últimos dez anos, a percepção pública nos Estados Unidos passou por uma transformação significativa. Em 2016, o apoio a Israel superava o apoio à Palestina em mais de 40 pontos percentuais (62% contra 15%), enquanto dados recentes do Instituto Gallup mostram uma inversão desse cenário: atualmente, 41% dos americanos favorecem a Palestina e 36% continuam apoiando Israel.
A rejeição a Israel e ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já prevalece entre americanos com menos de 50 anos, independentemente da orientação partidária. Conforme apontado pela pesquisadora Laura Silver do Pew Research Center, a desconfiança entre os democratas disparou: 76% não confiam em Netanyahu, com um aumento alarmante de 37% no número daqueles que afirmam ter “nenhuma confiança” no líder israelense em apenas um ano. Esta tendência se consolidou logo após o início das hostilidades envolvendo os EUA, Israel e Irã.
