terça-feira, julho 21

Os 10 nações que enfrentarão as mais altas taxas de inflação em 2026, conforme análise do FMI

O mais recente estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), intitulado World Economic Outlook, publicado em abril de 2026, aponta que o panorama inflacionário global terá consequências variadas em diferentes partes do mundo. Os países que enfrentam maiores dificuldades são, em especial, aqueles produtores do setor primário, especialmente os que dependem intensivamente de commodities minerais e energéticas.

A taxa de inflação global é estimada em cerca de 4,4% ao ano. Apesar de uma certa estabilidade observada devido a conflitos internacionais que interferem nas cadeias energéticas, os efeitos da inflação se manifestam de maneiras distintas entre as economias desenvolvidas e as emergentes.

Além disso, o impacto dos conflitos no Oriente Médio levou à revisão das previsões de crescimento global para 2026, que foram ajustadas para baixo, passando de 3,3% para 3,1%.

O relatório destaca que o choque energético continua sendo a principal ameaça para o próximo ano. Esse fator terá um impacto inflacionário significativo sobre os preços da energia, fertilizantes e insumos industriais em geral, resultando em aumento dos custos de produção e uma redução no poder aquisitivo mundial.

No contexto atual, a previsão de crescimento para o Oriente Médio e Ásia Central apresenta uma queda acentuada: a taxa foi reduzida de 3,6% em 2025 para apenas 1,9% em 2026.

Três principais canais de transmissão da inflação são destacados no relatório: elevação nos preços dos hidrocarbonetos, repasse dessa alta aos salários e preços ao consumidor, além do aumento das taxas de juros resultantes da fuga de capitais e da pressão sobre moedas fortes como o dólar, que tem mostrado desvalorização frente a moedas mais frágeis.

  • Leia também: Inflação, crise de Ormuz e previsibilidade: dólar perde força internacional e sofre desvalorização – Revista Fórum

Cenário dos países com maior inflação em 2026

  1. Venezuela — 387,4%
  2. Sudão — 75,1%
  3. Irã — 68,9%
  4. Argentina — 30,4%
  5. Turquia — 28,6%
  6. Iêmen — 26,5%
  7. Malawi — 24,4%
  8. Haiti — 23,5%
  9. Bolívia — 20,7%
  10. Myanmar — 19,0%

No topo da lista dos países com maior índice inflacionário está a Venezuela, apresentando um nível alarmante de 387,4%. A situação na Venezuela é caracterizada por uma hiperinflação estructural resultante da dependência excessiva das exportações petrolíferas combinada com crises institucionais e financiamentos deficitários através da emissão de dívida pública. Isso se agrava pela deterioração do setor petrolífero devido à falta de recursos do Estado.

Muitos dos dez países mencionados enfrentam desafios semelhantes relacionados à presença de conflitos internos ou sanções econômicas internacionais que resultam em isolamento. Sudão, Iêmen e Myanmar ocupam os primeiros lugares da lista como regiões em conflito. O Irã também é afetado por tensões oriundas das ações coordenadas entre EUA e Israel contra suas principais cadeias produtivas e logísticas das commodities hidrocarbonônicas.

A lista inclui ainda três outros países latino-americanos além da Venezuela: Argentina, Bolívia e Haiti. A Argentina lida com um problema crônico de inflação decorrente de desequilíbrios fiscais e políticas econômicas ultraliberais; a Bolívia enfrenta fragilidades externas provocadas pela crise no setor exportador; enquanto o Haiti vive uma longa crise institucional.

A vulnerabilidade econômica também é evidenciada por Malawi e Sudão. Essas nações exemplificam como economias com baixa renda são suscetíveis a choques globais devido à sua alta dependência na importação para setores críticos como alimentos e combustíveis.

O FMI ressalta que as economias emergentes que dependem da importação de commodities devem continuar sendo as mais atingidas pelo atual ciclo inflacionário mundial.